A conversa entre Gaspar e Schäubel

Alemanha “sempre disse” que países cumpridores podem ter programa mais flexível

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Foto: Thomas Peter/Reuters

O ministério alemão das Finanças não comenta as declarações de Wolfgang Schäubel, que disse na quinta-feira ao seu homólogo português estar disposto a flexibilizar o acordo de Portugal com a troika. A única reacção conhecida até agora é de uma fonte não identificada mas descrita como sendo “dos círculos do Governo” germânico, que vinca que a Alemanha “sempre disse” que os programas de saneamento financeiro poderiam ser mais flexíveis para os países que “cumpram bem as suas reformas”.

A afirmação é citada nesta sexta-feira pela edição alemã do Wall Street Journal, num dos múltiplos artigos publicados pelos media germânicos a propósito do vídeo que foi divulgado na quinta-feira. Nessa gravação decorre uma conversa, em voz baixa, entre Schäubel e Gaspar. As imagens e o som foram gravados quando os dois julgavam não estar a ser ouvidos, em Bruxelas, durante a reunião dos ministros das finanças europeus. Foi uma gravação feita por uma câmara da TVI.

Schäuble dizia a Gaspar que a Alemanha estava disposta a flexibilizar o programa de ajuda português

, mas só depois de resolvido o problema da Grécia. “Agradecemos muito”, respondeu o ministro das finanças português.

Vítor Gaspar diz depois ao ministro alemão: “Fizemos progressos substanciais no quadro europeu.” “Sim, fizeram”, responde Schäuble.

O vídeo, que entretanto foi parar ao Youtube, mereceu também a atenção das redacções de informação na Alemanha. Na edição online da revista Spiegel, a notícia vai muito para além da disponibilidade alemã para rever o cumprimento do pacote de austeridade em troca do empréstimo internacional de 78 mil milhões de euros concedido a Portugal. “A postura corporal e o tom de Schäubel têm o seu quê de paternalista, o seu colega português está, mesmo assim, visivelmente satisfeito e agradece-lhe educadamente”, descreve a Spiegel.

No jornal Handelsblatt, especializado em assuntos económicos, o tema dá origem ao título “Depois da Grécia, segue-se Portugal”. “O plano de resgate da Grécia ainda não está fechado e, no entanto, a atenção já está virada para outro país em crise. Num vídeo, Schäubel fala pela primeira vez sobre um novo programa de ajuda a Portugal”, noticia o mesmo p+eriódico na sua edição online.

Na sequência da divulgação desta conversa, o líder do PS em Portugal, António José Seguro, veio exigir esclarecimentos ao Governo, ao passo que o ministrod as Finanças reiterou, em Bruxelas, que o Executivo português não pretende pedir nem mais tempo nem mais dinheiro para corrigir as contas públicas.