Vamos montar o puzzle em Outubro

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“É um puzzle”, diz Agnès Varda a propósito do seu último filme. É um puzzle, dizemos nós a propósito da operação Agnès Varda que a Festa do Cinema Francês está a montar, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, a Fundação de Serralves, a Midas Filmes e, possivelmente, a RTP. Tal como “As Praias de Agnès”, este é um puzzle de que temos as peças (retrospectivas, edições, instalações), mas não o modelo: o desenho final da operação está em construção e é coisa para se ver melhor em cima do acontecimento, lá para Outubro (a data exacta do arranque também está em construção).

Por partes: em Lisboa, a Cinemateca retoma a obra de Varda ligeiramente a montante do ponto em que a deixou na última retrospectiva dedicada à cineasta, em 1993, e exibe a trilogia Jacques Demy ("Jacquot de Nantes”, de 1991, “Les Demoiselles Ont Eu 25 Ans”, de 1993, e “L'Univers de Jacques Demy”, de 1995) e os posteriores “Les Cent et Une Nuits de Simon Cinéma” (1995), “Os Respigadores e a Respigadora” (2000) e respectiva “sequela”, “Deux Ans Après” (2002). O programa faz ainda uma marcha-atrás em direcção a dois filmes fundadores da cineasta, “Duas Horas na Vida de Uma Mulher” (1962) e “Sem Eira nem Beira” (1985). Paralelamente, haverá um programa de curtas de Varda a passar no Cinema São Jorge ou na sede do Instituto Franco-Português, incluindo títulos como “Uncle Yanco” (1967), visita ao tio da América de Varda, “Le Lion Volatil” (2003), visita ao leão de bronze da Praça Denfert-Rochereau, em Paris, e “Ydessa, Les Ours et Etc.” (2004), visita à artista Ydessa Hendele e aos seus ursos de peluche, em Toronto. Em negociação com a RTP está também um “Onda Curta” especial Agnès Varda.

No Porto, a Festa do Cinema Francês abrirá a 20 de Outubro com “As Praias de Agnès”, no Auditório de Serralves, que exibirá nos cinco dias seguintes longas-metragens de ficção de Varda; os documentários (incluindo “Lions Love”, que a cineasta filmou em Hollywood, em 1969) serão integrados na quinta edição do ciclo de fotografia e cinema documental “Imagens do Real Imaginado”, comissariado por Jorge Campos. Além dos filmes (e, dizemos nós, como prémio de consolação pela espera de três meses por “As Praias de Agnès"), Serralves acolherá também uma ou mais vídeo-instalações de Varda, provavelmente alguns módulos da série “L'Île et Elle”, que a cineasta produziu em 2006 para a Fondation Cartier.

Ainda durante a Festa do Cinema Francês - que faz dez anos - a Midas Filmes vai começar a editar em DVD as filmografias “tão completas quanto possível” de Varda e do seu companheiro, Jacques Demy. A primeira caixa Varda sai com “Duas Horas na Vida de Uma Mulher” e “Sem Eira nem Beira"; a primeira caixa Demy sai com dois filmes praticamente contemporâneos daqueles, “Lola” (1961) e “Une Chambre en Ville” (1982), que nunca teve estreia comercial em Portugal. É mais um projecto em construção: coisa para demorar “vários anos”, diz Pedro Borges, da Midas Filmes.