Passos critica integração dos precários sem discussão sobre administração pública

Passos acusa Governo de não ter agenda reformista. E se Costa quer umas eleições animadas, o social-democrata prefere uma campanha com “respeito” pelos portugueses, porque elas não são uma “festa”.

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Nuno Ferreira Santos
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Aquilo que foi dado como uma conquista da “geringonça”, a integração dos precários na administração pública, foi neste sábado posto em causa pelo líder do PSD. Pelo menos, neste sentido: Passos Coelho questionou que essa integração esteja em marcha sem que ninguém no Governo e na maioria se tivesse questionado sobre o que se quer para a administração pública. Aproveitando o discurso de encerramento na convenção autárquica, em Lisboa, deixou claro que discorda que se convertam vínculos precários em permanentes sem se “saber” quais as áreas importantes e em défice, e desafiou o primeiro-ministro a fazer "com coragem" a discussão sobre que reformas se quer para o país.

O raciocínio já tinha começado antes e com uma tese conhecida: a de que é preciso ter uma agenda reformista se se querem resultados positivos e duradouros para o crescimento do país. Pedro Passos Coelho defendeu que, se o país não quer daqui a um ano regressar a crescimentos de “1,4, 1,5 ou 1,6”, há que rever as prioridades: “Se não queremos que isso aconteça, se queremos passar dos efeitos cíclicos para os permanentes, temos de fazer mais qualquer coisa”, disse, acrescentando que o PSD não pode perder a “qualidade de chamar a atenção, mesmo no meio da festa, para aquilo que é importante”.

Durante o discurso, no qual defendeu ser necessário tratar da reforma do Estado, usou pequenas ironias: por exemplo, quando se referiu às opções de, no curto prazo, “surfar a onda e fazer a festa”; quando disse que, em vez de se andar “numa espécie de leilão a ver quem dá mais”, como Bloco de Esquerda, PCP e PS, se deve mas é ver o que é preciso fazer para ter mais… “Precisamos é de discutir o que é que precisamos de fazer para termos mais. Esse é o ponto essencial, seja no município, seja no país”, disse, frisando que essa agenda não está no horizonte do Governo. Para Passos, tem de existir um equilíbrio entre ir “motivando e agradando às pessoas” e manter uma “ambição” para o futuro, caso contrário condena-se o país “ou a viver à beira do abismo, ou a viver em cima da onda”.

Sobre o processo das autárquicas, frisou que o objectivo “muito claro” do PSD é ganhar, mas admitiu que não é “fácil, nem simples”, porque o partido tem “quase 50 câmaras de atraso” em relação ao PS. E também quis varrer críticas e polémicas, afirmando que o caminho feito pelo PSD foi “correcto”, que se fizeram “boas escolhas” no país e em Lisboa, e que o timing foi “adequado”, o que aliás poupou os sociais-democratas a “algumas vergonhas e embaraços” como noutros partidos, afirmou.

E mesmo nesta parte da intervenção deixou uma mensagem a António Costa. Passos pôs a plateia a rir quando mostrou espanto por o secretário-geral do PS querer uma “campanha animada”: “Uma campanha animada, esta é a expectativa que o secretário-geral do PS tem.” Ora, para o presidente do PSD, “a campanha não é uma animação”, nem os portugueses são “espectadores que é preciso divertir”. Para Passos Coelho, os portugueses “merecem respeito”, é “esse respeito” que PSD quer levar para as eleições, não é fazer delas “uma festa”.

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