Stoltenberg destaca “importância” da parceria entre a NATO e a UE no apoio à Ucrânia

Secretário-geral da Aliança Atlântica foi convidado para um almoço de trabalho com os líderes do Conselho Europeu, que voltarão a discutir a guerra da Ucrânia.

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Charles Michel, Jens Stoltenberg, Josep Borrell, Olaf Scholz e Ursula von der Leyen, esta quinta-feira, em Bruxelas OLIVIER HOSLET/EPA
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Convidado pelo presidente do Conselho Europeu para um almoço de trabalho com os chefes de Estado e Governo da União Europeia, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, destacou a “extrema importância” da parceria e cooperação entre as duas instituições sediadas em Bruxelas, que nesta altura estão empenhadas em garantir, lado a lado, que a Ucrânia dispõe de todos os meios e capacidades para prevalecer contra a agressão da Rússia.

“A parceria da NATO com a UE é extremamente importante agora”, salientou o líder da NATO à entrada para o Conselho Europeu, que passará boa parte desta quinta-feira a discutir várias questões ligadas à guerra da Ucrânia: o apoio militar e financeiro dos 27 ao Governo de Kiev, a Fórmula de Paz proposta pelo Presidente Volodymyr Zelensky, a criação de um tribunal internacional para julgar o crime de agressão ou o eventual uso dos proveitos dos activos do Banco Central da Rússia congelados na UE para o esforço de reconstrução da Ucrânia.

Os líderes europeus também vão discutir que tipo de “compromissos” bilaterais de segurança podem ser assegurados pelas Estados-membros à Ucrânia. Não se trata das “garantias de segurança” que Kiev reclama à NATO, e por isso Jens Stoltenberg evitou fazer comparações. “O que é importante para a NATO é que o apoio continue”, vincou.

A França pressionou para que esses “compromissos” fossem assumidos pelos líderes nas conclusões do Conselho Europeu. A primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, concorda, mas sublinha que “a garantia de segurança mais lógica, e que é a única que realmente funciona, é a adesão da Ucrânia à NATO” — uma hipótese que só poderá ser concretizada no fim da guerra.

Na sua primeira aparição num Conselho Europeu, o recém-empossado primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, confirmou que o seu Governo tomou medidas para reforçar a segurança da linha de 1300 quilómetros de fronteira com a Rússia. “Já tratámos disso. Não sabemos exactamente o que vai acontecer na Rússia no futuro próximo”, afirmou, referindo-se ao posicionamento de meios naquela que também é uma nova linha a separar a NATO da Rússia.

À entrada para a cimeira, foram vários os líderes que comentaram os acontecimentos do fim-de-semana passado na Rússia, e os possíveis efeitos, e consequências, da insurreição abortada dos mercenários do grupo Wagner contra as hierarquias militares da Rússia. “O motim a que assistimos no fim-de-semana demonstra que existem fissuras e divisões no sistema russo”, afirmou o secretário-geral da NATO.

“É importante salientar que são assuntos internos da Rússia, e que é demasiado cedo para tirar conclusões definitivas”, repetiu Stoltenberg, acrescentando que “ainda não é claro, por exemplo, quantos elementos das forças Wagner irão parar à Bielorrússia [onde se terá “exilado” o fundador do grupo, Yevgeny Prigozhin [Ievgueni Prigojin na transliteração para português] ou a outros locais”.

A convicção generalizada dos líderes europeus é de que a rebelião do grupo Wagner enfraqueceu a autoridade do Presidente da Rússia. Mas, como vincou o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, “esse é um problema que Vladimir Putin criou a si próprio”. “Nós não somos parte do que está a acontecer na Rússia, só somos observadores. E o nosso objectivo não é uma mudança de Governo na Rússia. O nosso objectivo é que a Ucrânia seja independente”, declarou.

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