Trump anuncia a maior redução fiscal em décadas, mas deixa muito por explicar

Presidente norte-americano anunciou uma profunda redução fiscal para empresas, classe média e trabalhadores. As negociações seguem para o Congresso, que terá de aprovar a proposta.

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Reuters/JONATHAN ERNST

Donald Trump anunciou num comício na cidade de Indianápolis a maior redução de impostos em décadas nos Estados Unidos. Cumprindo uma das principais promessas da campanha eleitoral, o Presidente norte-americano pretende reduzir a carga fiscal para toda a gente: os mais ricos, as empresas, a classe média e a classe trabalhadora. No entanto, os detalhes apresentados foram poucos, as preocupações sobre o peso que esta medida terá no défice já se fizeram ouvir e o Congresso terá de aprovar as alterações para as transformar em lei.

“Esta é uma mudança revolucionária, e os maiores vencedores serão a classe média e a trabalhadora quando os empregos começam a aparecer no nosso país, quando as empresas começam a competir pela mão-de-obra norte-americana, e os salários continuam a aumentar”, disse Trump perante centenas de apoiantes, citado pelo New York Times, acrescentando que esta será a taxa fiscal mais baixa “para as para as pequenas e médias empresas em mais de 80 anos”.

Dirigindo-se em particular à classe média e aos trabalhadores, parte da população à qual Trump prometeu prestar especial atenção durante a campanha, o Presidente dos EUA ficou, no entanto, por esclarecer como é que os trabalhadores beneficiarão deste novo plano fiscal. Até porque, alguns dos poucos pormenores que foram divulgados esta quarta-feira foi a eliminação da taxa aplicada às grandes heranças e avultadas reduções nos impostos a serem pagos pelas pequenas e médias empresas.

A proposta da Administração norte-americana prevê, entre outras coisas, uma redução na taxa das receitas das empresas de 35% para os 20%, simplificando o processo de entrada de receitas de multinacionais no estrangeiro para os EUA. As famílias de classe média beneficiarão de uma redução no imposto aplicado às suas receitas. Trump explicou ainda que os primeiros 12 mil dólares (cerca de 10.200 euros) de rendimento individual e os primeiros 24 mil dólares recebidos por um casal estarão livres de qualquer imposto. Os contribuintes no escalão máximo terão o salário taxado a 35%, baixando dos actuais 39,6%.

Mas as preocupações em relação a esta medida começaram a surgir quase de imediato. Segundo o Washington Post, o Comité para um Orçamento Federal Responsável, organismo que analista as políticas fiscais e de despesa, calcula que a proposta de Trump vai provocar uma perda líquida nas receitas do Estado de 2,2 biliões de dólares nos próximos dez anos, o que torna também mais difícil o objectivo de reduzir o défice (que se situou em 2016 nos 3,2% do PIB) e da dívida pública (que é de 82% do PIB). As explicações sobre como compensar estas perdas escassearam e prometem ser um desafio nas negociações que se seguem.

Essa jornada negocial passa agora para o Congresso, à semelhança do que foi feito com a lei da saúde apresentada pela Administração Trump (que tem sido sucessivamente barrada). Donald Trump já abordou essas negociações: “Não há razão para que os democratas e os republicanos no Congresso não se devam juntar para oferecer esta vitória gigante para o povo americano e começar o milagre da classe média outra vez”.

Mas não são só os democratas que terão de ser convencidos a aprovar esta reforma fiscal. Apesar de a proposta ter sido desenhada e negociada pelo Presidente e pelos líderes republicanos, os congressistas do Partido Republicano têm-se dividido em várias questões, como por exemplo a lei da saúde que serviria para eliminar e substituir o chamado Obamacare.

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