Juro dos depósitos cai pela primeira vez em 16 meses e fica abaixo de 3%

Valor médio do juro dos novos depósitos caiu para 2,9% em Janeiro, menos 0,18 pontos do que no mês anterior, uma descida superior à dos empréstimos à habitação.

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Remuneração dos depósitos cai mais do que a do crédito Ricardo Lopes
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Começaram a subir lentamente a partir de Setembro de 2022, mas começaram a descer de forma mais acelerada. A média dos juros dos novos depósitos dos particulares em Janeiro fixou-se em 2,9%, menos 0,18 pontos percentuais do que em Dezembro de 2023, a primeira redução em cadeia desde Setembro de 2022.

Já taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação passou de 4,12%, em Dezembro de 2023, para 4,03% em Janeiro de 2024, uma queda de apenas 0,09 pontos percentuais, metade da queda dos juros dos depósitos.

Os dados do Banco de Portugal (BdP), divulgados esta segunda-feira mostram que os juros pagos pelas poupanças dos portugueses ficaram mais distantes da remuneração média dos países da zona euro, que em Janeiro se fixou em 3,20%. Aliás, os juros a pagar pelos bancos a operar no mercado nacional nunca superaram a média do euro.

De acordo com os dados dados do Banco de Portugal (BdP), a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares subiu de 0,56% em Janeiro de 2023, para 2,9% em Janeiro de 2024, um aumento de 2,34 pontos percentuais.

Os países do euro também registaram uma redução ligeira, mas menor, ou mesmo metade, ao passarem de 3,29% em Dezembro, para 3,20% em Janeiro.

Quanto a montantes, os novos depósitos a prazo ascenderam a 9588 milhões de euros, o que constituiu um aumento de 34 milhões de euros em relação a Dezembro de 2023, e mais 3861 milhões de euros do que no período homólogo.

A maior descida aconteceu nos depósitos com prazo até um ano, que baixou 0,18 pontos percentuais face ao mês anterior, para 2,92%. “Esta foi a classe de prazo que apresentou a remuneração média mais elevada e representou 97% dos novos depósitos em Janeiro de 2024”, refere BdP.

A remuneração média dos novos depósitos com prazo acordado a mais alargado, ou mais de dois anos, baixou em cadeia para 2,12% (2,17% anteriores), enquanto para o prazo entre um e dois anos registou-se um pequeno aumento de 0,01 pontos percentuais, para 2,65%.

A remuneração média dos novos depósitos a prazo das empresas também diminuiu, passando de 3,46% em Dezembro para 3,42% em Janeiro.

Taxas mais altas na renegociação

Nos novos contratos de crédito à habitação também se verifica uma ligeira descida, pelo quarto mês consecutivo, explicada pela queda das taxas Euribor, mas também pela crescente opção das taxas mistas (fixas durante uma fase inicial, passando depois a variável).

A taxa de juro média passou de 4,12%, em Dezembro de 2023, para 4,03% em Janeiro de 2024, uma descida de apenas 0,09 pontos percentuais, e ainda “acima dos valores homólogos”, destaca o supervisor bancário.

Sem considerar as renegociações de crédito, classificadas como novas operações, a taxa média dos novos empréstimos à habitação diminuiu 0,18 pontos percentuais em Janeiro (tanto como os depósitos), para 3,81%, tendo sido o terceiro mês consecutivo com descidas. Esta queda é explicada pela elevada opção por taxas mistas promocionais, presentes em 71% dos contratos, e que são mais baixas do que as taxas indexadas às Euribor.

Já nos contratos renegociados, habitualmente por dificuldades das famílias em suportar prestações tão elevadas, a taxa de juro média manteve-se em 4,39%.

Entre Janeiro e Setembro do ano passado, a taxa média dos novos empréstimos para compra de casa passou de 3,3% para um máximo de 4,27%, iniciando a partir daí um movimento de descida.

Ao contrário dos depósitos, que se têm mantido abaixo da média da zona euro, no crédito à habitação a média nacional mantém-se acima. A taxa média europeia passou de 4,0% em Dezembro, para 3,87% em Janeiro.

Em volume, as novas operações de empréstimos aos particulares totalizaram 2555 milhões de euros em Janeiro de 2024, menos 45 milhões do que em Dezembro de 2023.

Em montante, o crédito à habitação caiu 141 milhões de euros, para 1185 milhões de euros, totalizando 2555 milhões de euros com o crédito ao consumo.

As renegociações de crédito aumentaram 95 milhões de euros em relação a Dezembro de 2023, totalizando 768 milhões de euros em Janeiro de 2024, e esta evolução é quase totalmente explicada pelas renegociações de crédito à habitação, que, em Janeiro atingiram 716 milhões de euros.

Nos empréstimos ao consumo, a taxa média de novas operações atingiu os 9,44% no primeiro mês do ano, um máximo desde Fevereiro de 2014, contra 8,45% em termos homólogos. Nos empréstimos para outros fins, a taxa de juro média foi de 5,31%, contra 5,20% em Dezembro.

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