Morte de portuguesa motiva campanha sobre risco de bicicletas eléctricas em Londres

Sofia Duarte morreu a 1 de Janeiro de 2023 devido a um incêndio causado pela explosão da bateria de uma bicicleta eléctrica. Passado um ano, mãe espera criação de uma lei com o nome da filha.

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A família e amigos lançaram uma petição para que o Governo britânico reforce a segurança de bicicletas e trotinetas eléctricas e respectivas baterias e carregadores Matilde Fieschi
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A mãe de uma jovem portuguesa que morreu em Londres num incêndio causado pela explosão da bateria de uma bicicleta eléctrica está a pressionar o Governo britânico para apertar a regulamentação destes equipamentos.

Sofia Duarte, de 21 anos, morreu no dia 1 de Janeiro de 2023, 10 dias antes do seu 22.º aniversário, enquanto pernoitava com o namorado num apartamento no Sul de Londres. Segundo os bombeiros londrinos, as chamas propagaram-se após a explosão de uma bateria de lítio utilizada numa bicicleta alterada para ser eléctrica, que estava a ser recarregada no corredor da casa.

Passado um ano, a família e amigos lançaram uma petição para que o Governo britânico reforce a segurança de bicicletas e trotinetas eléctricas e respectivas baterias e recarregadores. “Eu achei que era necessário porque, para além de ajudar a dar a perceber às pessoas o perigo que são essas bicicletas, não quero que volte a acontecer o mesmo que aconteceu à minha filha”, explicou Maria Macarro à agência Lusa.

A petição urge o Gabinete para os Produtos e Normas e Segurança (OPSS) a implementar regulamentos e normas mais rigorosos sobre a segurança contra incêndio e reforçar os controlos de qualidade de baterias de iões de lítio. Em particular, quer que sejam investigados urgentemente os perigos dos conjuntos de conversão de bicicletas em veículos eléctricos, as baterias e os recarregadores, para que sejam introduzidas normas específicas de segurança.

A iniciativa está a ser apoiada pela Corporação de Bombeiros de Londres (London Fire Brigade), que tem feito várias campanhas de sensibilização para o problema. Segundo esta organização, em 2022 teve de intervir em 116 incêndios originados em bicicletas e trotinetas eléctricas defeituosas, número de incidentes que aumentou quase 60% em 2023. Os bombeiros londrinos estão a alertar as pessoas para o risco que representam peças mais baratas sem certificação compradas na Internet, nomeadamente baterias e recarregadores.

“A morte da Sofia foi uma tragédia que nunca deveria ter acontecido. Orgulho-me de apoiar a incansável campanha da sua família e amigos para garantir que esta tragédia não se repita”, afirmou a vice-presidente da Câmara Municipal de Londres, Fiona Twycross, num comunicado.

A petição também foi elogiada pela organização não-lucrativa Electrical Safety First, que está a trabalhar com a deputada do Partido Trabalhista Yvonne Fovargue para que apresente em breve um projecto de lei no Parlamento sobre esta matéria.

A jovem portuguesa terá sido a primeira vítima mortal em Londres e a quarta em todo o Reino Unido de incêndios causados por bicicletas eléctricas, adiantou Alda Simões, uma amiga de Sofia Duarte que ajudou a lançar a campanha. Nos últimos dois anos terão morrido pelo menos nove pessoas no país, incluindo duas crianças de 4 e 8 anos, em acidentes semelhantes.

Na quinta-feira, família e amigos juntaram-se no dia em que Sofia Duarte completaria 23 anos para a recordar.

Nascida em Lisboa, mudou-se com a mãe para o Reino Unido aos 9 anos. Quando morreu, era empregada de bar numa discoteca e tinha por objectivo chegar a gerente. “Era uma rapariga muito forte, com uma grande personalidade, muito alegre. Gostava de desfrutar de todos os momentos, nunca estava cansada para ir para uma festa, para estar com os amigos”, contou a mãe à Lusa.

Maria Macarro espera que esta campanha resulte numa lei com o nome da filha “para que, quando estas coisas acontecerem, haja alguém que seja responsável”. “A minha filha perdeu a vida, perdeu tudo com 21 anos, e eu perdi tudo também”, lamentou.

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