Israel leva a cabo ataques “alargados” contra o Hezbollah

Ex-chefe do Governo de Israel defende acção ofensiva directa contra o Irão.

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Soldado israelita guarda fronteira com o Líbano REUTERS/Fadi Amun ISRAEL

Depois de dias a avisar o movimento xiita libanês Hezbollah para consequências se a situação actual, de disparos frequentes, se mantivesse, o Exército de Israel anunciou vários ataques contra “a infra-estrutura do Hezbollah” no Líbano.

O anúncio fala de um ataque “alargado”, contra não só posições de lançamento de projécteis do Hezbollah como um complexo militar.

Ainda nesta sexta-feira, foram lançados projécteis contra Israel a partir do Sul do Líbano, disse ainda o Exército israelita. O Hezbollah afirmou, pelo seu lado, que neutralizou a maioria dos engenhos de observação das Forças Armadas de Israel na fronteira.

Com a tensão a subir com o Hezbollah, o movimento xiita libanês apoiado pelo Irão, o ex-primeiro-ministro de Israel Naftali Bennet defendeu, num artigo de opinião no Wall Street Journal, que o Estado hebraico e os Estados Unidos deveriam atacar directamente a própria República Islâmica pelo caos” criado pelos movimentos que Teerão apoia.

Isto quando, de acordo com fontes sauditas, um ataque atribuído a Israel matou 11 elementos dos Guardas da Revolução em Damasco – será o segundo ataque na capital síria contra alvos da força de elite no Irão esta semana, depois de um que matou um responsável importante do movimento.

Sayeed Razi Mousavi, cujo funeral decorreu na quinta-feira, era responsável pela coordenação da aliança militar entre a Síria e o Irão, uma parte importante da política de alianças regionais do Irão. Por outro lado, o Irão foi, além da Rússia, essencial para a sobrevivência do regime de Bashar al-Assad na Síria depois da revolta contra o ditador de 2011, que se transformou numa guerra civil.

Israel não confirmou nenhum dos ataques, e raramente admite que ataca alvos iranianos na Síria, embora o faça com alguma regularidade para impedir um fortalecimento da presença iraniana no país vizinho. Estes ataques aumentaram de frequência depois de 7 de Outubro, quando o Estado hebraico sofreu um ataque do Hamas no Sul.

Israel teme, segundo o diário britânico The Guardian, que o Irão esteja a acelerar a passagem de rockets e mísseis para o seu aliado Hezbollah através da Síria, e que estejam em curso tentativas de transferência de sistemas de defesa contra drones e helicópteros israelitas.

O ataque que matou Mousavi, continua o diário britânico, foi visto como um aviso ao Irão para que não aumente o apoio ao Hezbollah. Por outro lado, houve quem pusesse a hipótese de esta ser uma maneira de Israel levar o Hezbollah a responder em força, e ter assim um motivo para atacar o movimento, já que desde 7 de Outubro que 23 comunidades do Norte de Israel estão deslocadas temendo os projécteis vindos do Líbano, situação que as autoridades israelitas dizem não ser sustentável por muito mais tempo.

Esta sexta-feira, o embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, disse ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que “50 mil civis israelitas estão deslocados da [zona da] fronteira norte por causa dos ataques do Líbano apoiados pelo Irão”. “Israel vai defender-se. Avisei este conselho várias vezes”, declarou ainda Erdan.

Quanto ao ataque em Damasco, segundo o site da saudita Al Arabiya, os 11 membros dos Guardas da Revolução fariam parte de uma delegação que incluía comandantes da força no Leste da Síria, e foram mortos pouco depois de terem chegado ao aeroporto de Damasco. A emissora adiantou que um comandante ficou ferido no ataque. Ao contrário do que aconteceu com Mousavi, não foram os media de Teerão a dar a notícia.

No próprio Irão, foi anunciada a execução de quatro pessoas – três homens e uma mulher –, acusadas de “colaborar com o regime sionista”, como o Irão se refere sempre a Israel, e “cometer acções alargadas contra a segurança do país sob a orientação da Mossad”, a agência de espionagem de Israel.

Tudo isto acontece quando os ataques israelitas na Faixa de Gaza continuam com uma força intensa, e há ainda mais deslocação de pessoas, muitas das quais já mudaram várias vezes de local de abrigo, depois de ataques em Khan Younis, no Sul, e Deir al-Balah, no centro. A ONU estima que 85% da população da Faixa de Gaza esteja deslocada.

Mais de cem mil pessoas chegaram nos últimos dias a Rafah, que se tornou a zona mais densamente povoada do território, estimando-se que tenha mais de 12 mil pessoas por quilómetro quadrado.

O enviado da Palestina nas Nações Unidas, Majed Bamya, disse ao Conselho de Segurança que Israel está a dar apenas duas hipóteses aos habitantes da Faixa de Gaza: “Morte ou deslocação.” “Querem assegurar-se de que os palestinianos em Gaza não têm casas para onde voltar”, disse. “Que não têm vida para a qual voltar.”

O Washington Post ouviu Muhammad Ghazi Farhat, pescador, que está deslocado em Rafah. Farhat contou que não pode pescar porque os barcos foram destruídos, assim como as redes de pesca. Está agora dependente da ajuda humanitária, que continua a chegar a um ritmo menor do que as necessidades.

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