Morreu o segundo homem a receber um transplante de coração de porco

Coração esteve em funcionamento durante seis semanas após a operação. Depois, começou a mostrar sinais de rejeição.

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Lawrence Faucette dias antes de receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado Centro Médico da Universidade de Maryland
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O segundo ser humano a receber um transplante de coração de porco geneticamente modificado, Lawrence Faucette, de 58 anos, morreu na terça-feira. O anúncio segue-se à morte, em Março do ano passado, de David Bennett, o primeiro homem a viver durante dois meses com um coração de porco transplantado.

Ambos sofriam de uma doença cardíaca terminal e os casos foram acompanhados pelo Centro Médico da Universidade de Maryland, em Baltimore (EUA). De acordo com o diário espanhol El País, foi o próprio hospital que deu a notícia de que Faucette, antigo funcionário dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos que recebeu o transplante a 20 de Setembro, tinha morrido.

O transplante de coração de porco foi um último recurso para Lawrence Faucette. Nas seis semanas após a operação, o homem fez fisioterapia e registou progressos significativos, permitindo-lhe passar tempo com a família e jogar às cartas com a sua mulher, Ann, de acordo com um comunicado divulgado pelo hospital. No entanto, nos últimos dias, o coração começou a mostrar sinais de rejeição.

“Lamentamos a perda do Sr. Faucette, um paciente extraordinário, cientista, veterano da Marinha e homem de família que só queria passar um pouco mais de tempo com sua amada esposa e família”, escreveu Bartley P. Griffith, o cirurgião responsável pela operação, citado em comunicado. “Ele expressou um último desejo: que aproveitássemos ao máximo o que aprendemos com a experiência que fizemos nele, para que outros possam ter a oportunidade de ter um novo coração quando um órgão humano não estiver disponível. Teve tempo de dizer à equipa de médicos e enfermeiros reunidos à sua volta que nos amava. Sentiremos muito a sua falta”, acrescentou o cirurgião.

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Cirurgiões fazem o transplante no Centro Médico da Universidade de Maryland, a 20 de Setembro de 2023 Centro Médico da Universidade de Maryland

A mulher de Lawrence Faucette, Ann, destacou que o marido “sabia que o seu tempo era pouco e que esta era a sua última oportunidade de fazer algo pelos outros”. “Nunca imaginou que iria sobreviver tanto tempo ou fornecer tantos dados ao programa de xenotransplantes”, sublinhou.

Ainda não se sabe o que correu mal com o transplante de Faucette. No caso de David Bennett, o primeiro homem a receber um coração de porco transplantado, concluiu-se que os anticorpos produzidos pelo seu sistema imunitário levaram à rejeição do órgão e à sua morte. Além disso, destaca o El País, o coração tinha vestígios de citomegalovírus suíno, um vírus que afecta os porcos e que pode ter contribuído para as complicações após o transplante.

O Centro Médico da Universidade de Maryland comprometeu-se, na terça-feira, a “efectuar uma análise exaustiva [do caso de Faucette] para identificar factores negativos que possam ser evitados em futuras intervenções”.

Em Setembro, chegou ao fim outra experiência de xenotransplante, depois de os cirurgiões do centro académico de medicina NYU Langone, em Nova Iorque, terem removido o rim de um porco que tinha sido transplantado para um homem em morte cerebral — o rim funcionou normalmente durante um tempo recorde de dois meses.

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