NASA perdeu comunicação com a Voyager 2 , mas a sonda já deu sinal de vida

Uma instrução mal programada pôs, acidentalmente, a Voyager 2 incontactável. Em Outubro, está prevista uma reorientação da antena para restabelecer o contacto com a sonda lançada em 1977.

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Representação da sonda Voyager 2 no espaço NASA
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Dois graus foram suficientes para a NASA perder contacto com a Voyager 2. O desvio de dois graus da antena da sonda, que há quase 50 anos viaja pelo espaço, interrompeu as comunicações da Voyager 2 com a agência espacial norte-americana – tudo após uma série de instruções planeadas pela NASA e que acontecem várias vezes por ano, mas que acidentalmente provocaram este desvio. Esta terça-feira, a NASA já detectou sinais de vida da sonda, mas a solução será posta à prova a 15 de Outubro, quando a agência espacial tentar reiniciar a orientação da antena e repor as comunicações com a Terra.

A Voyager 2 não é uma nave qualquer. Tal como a “irmã” Voyager 1, esta sonda foi lançada em 1977 com a missão de visitar planetas mais distantes de nós, como Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. No entanto, a viagem continua e, já depois de alcançarem o espaço interestelar (longe da Terra), continuam a enviar informações para a NASA. A diferença está no tempo que demora: actualmente, o sinal da Voyager 2 demora mais de 18 horas a chegar à Terra. A sonda está a 19.900 milhões de quilómetros da Terra.

“A Voyager 2 está programada para alterar a sua orientação várias vezes por ano, de forma a manter a antena direccionada para a Terra”, explica o Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA, em comunicado. “A próxima alteração vai decorrer a 15 de Outubro, e deverá permitir a recuperação das comunicações [com a Voyager 2]. A equipa da missão espera que a Voyager 2 mantenha a sua trajectória planeada durante este período de silêncio”, explica o laboratório responsável pela construção e operação das Voyager.

Ainda que esteja previsto um período de silêncio, a agência espacial norte-americana conseguiu esta terça-feira detectar um sinal da Voyager 2. “É como ouvir o 'batimento cardíaco da sonda, confirma que a sonda ainda está a transmitir”, escreve o Laboratório de Propulsão a Jacto no Twitter. “Os engenheiros agora vão tentar enviar uma instrução à Voyager 2 para esta se redireccionar para a Terra. Se isso não funcionar, teremos que esperar até Outubro.”

Sondas no espaço interestelar

Apesar de não existirem, neste momento, mais comunicações com a sonda, os ajustes programados à orientação da antena da Voyager 2 permitem esperar que, em Outubro, a sonda cumpra as ordens definidas e recupere a posição ideal daqui a dois meses.

Tal como a Voyager 2, a sonda Voyager 1 também continua a operar normalmente – apesar de estar ainda mais longe, a 24 mil milhões de quilómetros da Terra. A Voyager 2 foi o segundo objecto feito por humanos a chegar ao espaço interestelar, em 2018, depois de a sua “irmã” ter feito o mesmo em 2012.

Apesar da esperança de vida destas sondas, em 1977, ser de apenas cinco anos, elas têm resistido e mantêm o trajecto no espaço interestelar – a fronteira exterior da heliosfera, uma bolha gigantesca com ventos solares e partículas eléctricas produzidas pelo nosso Sol. E é possível acompanhar a viagem no site da NASA.

As duas sondas levam consigo um famoso disco dourado com sons, imagens e saudações em várias línguas, com o intuito de permitir a comunicação com potenciais seres extraterrestres com que se possam encontrar. Para já, ainda sem sucesso a descobrir outros seres vivos fora do nosso planeta.

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Um dos discos dourados com imagens e sons do planeta Terra que seguiu nas duas sondas Voyager JPL-Caltech/NASA
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