Lagarde avisa que taxas de juro altas não vão desaparecer tão cedo

Fórum do Banco Central Europeu em Sintra começa com aviso de Christine Lagarde em relação ao futuro próximo: as taxas de juro altas vão ser persistentes.

Foto
Christine Lagarde, presidente do BCE EPA/YOAN VALAT
Ouça este artigo
00:00
02:53

Para além de voltar a dizer que as taxas de juro na zona euro ainda deverão continuar a subir, a presidente do Banco Central Europeu (BCE) decidiu deixar, esta terça-feira em Sintra, um aviso para os anos seguintes: quem está à espera de um regresso rápido dos juros para níveis mais próximos dos do passado está enganado.

Na sua primeira intervenção na edição deste ano do Fórum que o BCE realiza na Penha Longa, em Sintra, Christine Lagarde elencou as razões pelas quais a inflação elevada, apesar da resposta dada pelo banco central com uma subida acentuada das taxas de juro, persiste na zona euro. A recuperação dos salários reais num cenário de redução da produtividade e a resistência das empresas a reduzir as suas margens de lucros foram as principais explicações dadas para o facto de, depois de uma escalada inicial provocada pela subida dos preços da energia no ano passado, a inflação estar agora numa segunda fase.

O que é certo, disse Lagarde, é que o facto de a inflação persistir vai forçar o banco central também a ser mais persistente. “Perante um processo inflacionista mais persistente, precisamos de uma política mais persistente. Uma política que não só produza um aperto suficiente agora, mas que também mantenha condições restritivas até que possamos ficar confiantes que esta segunda fase do processo inflacionista foi resolvida”, afirmou a presidente do BCE.

O que isto significa é que depois de atingirem o seu máximo, provavelmente ao longo deste ano, as taxas de juro do BCE vão permanecer a esse nível elevado durante um período relativamente longo. O aviso de Lagarde é feito sobretudo àqueles que, nos mercados financeiros, revelam expectativas de que 2024 possa ser um ano em que os juros podem voltar a descer.

Já em relação ao valor máximo que as taxas de juro podem vir a atingir, a presidente do BCE optou por não dar grandes pistas. Repetiu que, em Julho, apenas uma mudança palpável da conjuntura pode evitar uma nova subida de taxas de juro. E em relação às reuniões seguintes disse que excluir a possibilidade de mais subidas é algo que o banco central não vai tão cedo poder fazer. “Vai ter de ser continuamente reavaliado ao longo do tempo. Nas actuais condições, é improvável que no futuro próximo o banco central seja capaz de declarar com confiança absoluta que o nível máximo de taxas de juro foi atingido”, afirmou a presidente.

Desde Julho do ano passado, a taxa de juro de referência do BCE subiu de -0,5% para os actuais 3,5%. O objectivo do banco central é o de, ao aumentar os custos de financiamento, limitar o crescimento do consumo e do investimento na economia e, desta forma, fazer descer a inflação.

O problema, principalmente para as famílias e empresas que vêm as suas prestações de crédito agravarem-se rapidamente, é que o efeito sobre o consumo e o investimento pode ser substancial, podendo lançar a economia para uma recessão profunda.

A três semanas da sua próxima reunião, os responsáveis do BCE discutem até esta quarta-feira, no Fórum que anualmente realiza em Sintra, os desafios actuais da política monetária com economistas e responsáveis de outros bancos centrais.

Sugerir correcção
Ler 32 comentários