Chanceler alemão admite que se não houvesse covid, TAP já seria da Lufthansa

Costa diz que empresa alemã é “bem-vinda” ao processo de venda. Ao lado de Scholz, o primeiro-ministro insiste na necessidade de criação de um mecanismo europeu permanente de resposta às crises.

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Olaf Scholz congratulou-se com o nível de entendimento da Alemanha com Portugal: "Somos like minded", enfatizou. Nuno Ferreira Santos
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Olaf Sholz e António Costa Nuno Ferreira Santos
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Primeiro-ministro, António Costa Nuno Ferreira Santos

O chanceler alemão Olaf Scholz admitiu nesta quarta-feira à tarde que se não tivesse havido uma pandemia de covid-19, "se calhar" a TAP já teria mesmo sido comprada pela Lufthansa. O líder alemão admitiu que "o interesse da Lufthansa na TAP não é de ontem e que se não houvesse covid se calhar tinha-se consumado", realçou que existe "complementaridade" entre os serviços de transporte aéreo das duas companhias e, para a empresa alemã o hub que existe em Lisboa é um bom "recurso".

Olaf Scholz falava aos jornalistas ao lado de António Costa, no final da reunião de hora e meia na residência oficial do primeiro-ministro, em que os dois terão abordado o tema da reprivatização da TAP, mas também as relações económicas entre os dois países, as questões financeiras europeias, a estratégia energética e a situação da guerra na Ucrânia.

Pouco antes, o primeiro-ministro português dera o mote: lembrou que "o interesse da Lufthansa não é recente" uma vez que a transportadora alemã "já esteve em negociações com o accionista privado para tomar uma posição" há uns anos. Agora, nas pré-consultas ao mercado feitas no âmbito da preparação do processo de reprivatização, "várias empresas manifestaram interesse, entre elas a Lufthansa", assinalou António Costa. "Temos que assegurar um processo transparente onde todos partem em posição de igualdade (...) O processo negocial permitirá decidir quem chega à meta", realçou o primeiro-ministro.

"Mas, obviamente, a Lufthansa é muito bem-vinda. É uma grande companhia aérea, tem uma estratégia de grande complementaridade relativamente ao hub da TAP", apontou.

Ainda a propósito da TAP, Costa foi questionado sobre o parecer de fundamentação da demissão da ex-CEO que o PSD exige que seja enviado ao Parlamento, mas recusou fazer comentários sobre a comissão de inquérito e disse que o Governo tem cumprido o seu "dever de transparência" de explicar a decisão.

António Costa e Olaf Scholz falaram em uníssono de vários temas, mas se o primeiro-ministro insistiu na defesa de um novo mecanismo europeu permanente de resposta a crises, já o chanceler ficou-se pela defesa do fundo de recuperação da União Europeia e outros instrumentos já existentes, lembrando que ainda não se usaram todos os meios do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). "Temos que continuar este caminho até que haja finanças sãs", defendeu, elogiando: "Portugal foi um país que fez um enorme esforço de consolidação das suas finanças."

Numa expressão de sintonia, o primeiro-ministro português elogiou as propostas da Alemanha e da Comissão Europeia para a revisão do Pacto de Estabilidade e Crescimento. "Vão no sentido de termos regras mais realistas e efectivas", defendeu Costa. "A trajectória de redução da dívida portuguesa cumpre as regras actuais da UE e as novas propostas", fez questão de realçar. "Tendo em conta a experiência do passado, as regras realistas têm maior efeito nos mercados porque são mais credíveis", acrescentou o primeiro-ministro.

Mas fez questão de avisar ser preciso que "não tenham efeito contraproducente no crescimento da economia" ao ponto de gerarem recessões "que só dificultam o objectivo final de redução da dívida". E puxou os louros à sua política, dizendo que Portugal foi um exemplo de redução do peso da dívida no rácio do PIB, fruto do crescimento económico.

A questão da guerra na Ucrânia não poderia faltar, nem o passo em frente: os esforços para os países europeus dependerem cada vez menos de outras geografias em termos energéticos. Costa elogiou a rapidez alemã para encontrar alternativas ao gás russo e assinalou o "empenho pessoal" de Olaf Scholz para desbloquear a construção de novas interconexões de electricidade e gás para o centro da Europa.

"A Alemanha é uma peça importante nesta estratégia de criação de um corredor verde com base no hidrogénio", apontou Costa, lamentando as dificuldades decorrentes de não se poder partilhar a infra-estrutura para transportar o hidrogénio verde com o gás.

Notícia actualizada com mais declarações de António Costa e Olaf Scholz

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