Alojamentos turísticos superaram pela primeira vez os cinco mil milhões em 2022

Receitas do sector em 2022 superaram em 708 milhões as do ano anterior à pandemia, segundo os dados compilados pelo INE. Lisboa foi a região com mais proveitos.

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Maiores subidas face a 2019 registaram-se na Madeira e no Alentejo Nelson Garrido

Os proveitos totais dos alojamentos turísticos contabilizados pelo INE chegaram aos 5003 milhões de euros em 2022, mais 16,5% face a 2019, pré-pandemia e ano de recordes no sector. Comparado com 2021, o crescimento foi de 114,7%, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira.

A região com mais peso nos proveitos foi a de Lisboa, com 1529 milhões de euros (30%), seguindo-se o Algarve, com 1416 milhões. A maior subida face a 2019, no entanto, ocorreu na Madeira, com mais 29,8%, para 528,8 milhões, seguindo-se o Alentejo, com mais 27%, para 222,1 milhões de euros.

Em relação a 2021, os proveitos totais cresceram 114,7% e os relativos a dormidas aumentaram 117%.

A subida dos proveitos foi sustentada no factor preço, já que o número de hóspedes desceu 2,3% face a 2019, para 26,5 milhões (15,3 milhões de turistas estrangeiros, ou não residentes), e as dormidas desceram 0,9%, para 69,5 milhões (-5,0% nos não residentes e +8,6% nos residentes). Destes 69,5 milhões, 67% foram turistas não residentes, abaixo do peso de 69,9% de 2019.

Mesmo assim, segundo o INE, o Funchal e o Porto superaram os níveis de 2019 das dormidas de residentes e de não residentes.

“Em 2022, a evolução dos proveitos foi positiva nos três segmentos de alojamento”, refere o INE, acrescentando que, comparando com o mesmo período de 2019, os proveitos totais na hotelaria “aumentaram 15,2% e os de aposento cresceram 16,4% (pela mesma ordem, pesos de 87,4% e 85,6% no total do alojamento turístico)”.

Nos estabelecimentos de alojamento local (com quotas de 8,7% e 10,4%), “registaram-se subidas de 14,5% e 15,6% e no turismo no espaço rural e de habitação (representatividade de 3,9% e 4,0%, respectivamente) os aumentos atingiram 64,6% e 62,4%, pela mesma ordem”. O INE não contabiliza as unidades de alojamento local com menos de dez camas.

O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) foi de 56,2 euros em 2022, 72% acima do valor de 2021 e 13,7% acima do de 2019. O valor mais elevado em termos anuais registou-se em Lisboa, com 80,3 euros, cabendo ao Algarve o valor mais elevado em termos mensais, com 150,5 euros em Agosto.

Os britânicos foram os estrangeiros com maior peso nas dormidas, com quase nove milhões (perto de 20% do total), seguindo-se os alemães, com 5,4 milhões, os espanhóis, com cinco milhões, os franceses, com 4,3 milhões, e os norte-americanos, com 3,4 milhões.

Os responsáveis do sector têm salientado que esta subida dos proveitos tem de ser enquadrada com o aumento elevado dos custos da energia, dos bens alimentares e das cadeias de distribuição. “Falar em receitas não é falar em resultados”, destacou já ao PÚBLICO Cristina Siza Vieira, vice-presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

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