BE quer dar o nome de Ana Luísa Amaral a uma rua do Porto

Bloquistas querem homenagear poetisa atribuindo o seu nome a uma rua. E sugerem medidas de “discriminação positiva” para que mais mulheres sejam representadas.

Foto
Poetisa morreu a 5 de Agosto de 2022 Adriano Miranda

O Bloco de Esquerda quer ter uma rua do Porto com o nome de Ana Luísa Amaral, homenageando a poetisa falecida a 6 de Agosto deste ano. A proposta foi enviada à autarquia e poderá ser apresentada na próxima reunião do executivo. Os bloquistas propõem “mandatar a Comissão Municipal de Toponímia para que “analise e aprecie a proposta de homenagem a Ana Luísa Amaral, com atribuição do respectivo topónimo”, lê-se na proposta à qual o PÚBLICO teve acesso.

Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa, mas mudou-se para o Norte do país aos nove anos. O amor pelo Porto não foi imediato, contou poucos dias antes de falecer, na apresentação da programação da Feira do Livro do Porto, que a homenageou. O livro Entre Dois Rios e Outras Noites narra esses anos conflituosos onde não sentia a cidade como casa – um tempo pretérito: “Já não me sinto entre dois rios, já me sinto só deste lado e deste rio.”

Pela sua ligação à cidade, mas sobretudo por ser uma “referência incontornável da literatura, da investigação, das lutas pelos direitos humanos na cidade e no país, como autora, académica, feminista que avançou com os estudos de género, como poeta e como tradutora de livros, mas também como cidadã”, Ana Luísa Amaral deve ter mais uma homenagem, refere o BE, na proposta assinada pela vereadora Maria Manuel Rola.

Os bloquistas querem ainda propor à Comissão de Toponímia – da qual Ana Luísa Amaral chegou a fazer parte – que “elabore um estudo sobre a diversidade de género da toponímia do Porto que permita deliberar sobre a introdução de medidas de discriminação positiva, designadamente tendo em conta a igualdade de género, na atribuição da toponímia na cidade.”

De acordo com os últimos dados públicos sobre o tema, das cerca de duas mil artérias do Porto, só 51 têm nome de mulher (2,5%).

Sugerir correcção
Comentar