Candidataram-se mais alunos do ensino profissional à universidade, mas só 36% das vagas foram preenchidas

Foram disponibilizadas 2439 vagas e o número de candidatos admitidos a exame subiu para 3623. Mas destes, mais de dois terços não foram colocados. Concurso tem de “ser optimizado”, diz presidente da CNAES.

Foto
O destaque vai para o Politécnico do Porto, que responde por 20% do número de matriculados JONAS BATISTA / PUBLICO

Este foi o terceiro ano em que o concurso especial de acesso ao Ensino Superior para alunos do ensino profissional deixou quase dois terços das vagas por ocupar.

Apesar de o número de candidatos ter aumentado 51%, a primeira fase de candidaturas fechou com uma taxa de ocupação de apenas 36%. Os dados, avançados pelo Jornal de Notícias, foram facultados pelo Conselho Coordenador dos institutos superiores politécnicos (CCISP) e dizem respeito aos três consórcios existentes: Norte, Centro, e Sul e Ilhas.

A par do aumento do número de candidatos, disparou também o número de não colocados, respondendo por 69% das candidaturas admitidas a exame. No total dos consórcios, afirma o jornal, foram disponibilizadas 2439 vagas (mais 47 face a 2021) e o número de candidatos admitidos a exame subiu para 3623. Mas destes, mais de dois terços não foram colocados no Ensino Superior.

Dos 1117 que conseguiram ficar colocados, apenas 874 se matricularam (um aumento de 19% face ao ano anterior). O destaque vai para o Politécnico do Porto, que responde por 20% do número de matriculados (o que corresponde a um terço das candidaturas). Segue-se o Politécnico de Coimbra (com 8,6% das matrículas efectuadas) e o de Bragança (com 8,4%).

Numa comparação com base nos três consórcios existentes, o número de matriculados no do Norte aumentou para 357 (mais 21%), o do Centro para os 260 (mais 11%) e o do Sul e Ilhas para os 257 (um aumento de 25%)

Para a presidente do CCISP, o aumento em 86% do número de não colocados face a 2021 devia “ser estudado”, principalmente quando, em Portugal, apenas 18% dos diplomados das vias profissionais prosseguem estudos. “Há muitos que se candidatam mas faltam à prova [de acesso], há algumas reprovações, alunos que concorrem também pelo Concurso Nacional de Acesso, e os que preferem ficar nos CTeSP [cursos de curta duração]”, explica Maria José Fernandes, que menciona ainda os casos dos candidatos que não conseguem ficar colocados na opção escolhida.

“A aposta tem de ser no profissional. É preciso passar esta mensagem da margem de crescimento [das candidaturas], que é muito grande”, defende.

A Comissão Nacional de Acesso (CNAES) defende que é necessária uma maior divulgação do concurso, reajustar a oferta e analisar a experiência destes últimos anos.

É necessário “algum reajustamento da oferta de vagas em futuras edições deste concurso”, evitando que haja uma “pulverização”, diz Fontainhas Fernandes. O presidente da CNAES defende uma “melhor interligação entre a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, o Ministério da Ciência e Ensino Superior e as instituições”. Tudo isto porque “este concurso faz todo o sentido”, mas tem de “ser optimizado”, reconhece.

Sugerir correcção
Ler 1 comentários