A cleptocracia angolana e os 500 anos de colonização

Compreendo mal esta tendência para a perpétua desresponsabilização dos políticos africanos, e para a perpétua menorização das suas capacidades políticas: sim, eles são cleptocratas, mas por causa da colonização e das instituições que esta deixou em África.

A morte de José Eduardo dos Santos trouxe consigo a memória da descolonização, e a memória da descolonização arrasta atrás de si uma longa colecção de equívocos sobre o poder do homem branco em África, e dos portugueses em Angola, em particular. Daniel Oliveira, no Expresso online, traça um retrato muito negativo – com o qual estou de acordo – do legado de José Eduardo dos Santos, mas logo se apressa a encontrar as causas profundas da cleptocracia angolana na colonização portuguesa. Compreendo mal esta tendência para a perpétua desresponsabilização dos políticos africanos, e para a perpétua menorização das suas capacidades políticas: sim, eles são cleptocratas, mas são cleptocratas por causa da colonização, e não conseguem deixar de ser cleptocratas por causa das instituições que a colonização deixou em África.

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