José Luís Carneiro: “O mais importante é que as negociações possam continuar”

O secretário-geral adjunto do PS afirma que “os portugueses não desejam uma crise política” e apela aos “esforços” para a aproximação entre Bloco, PCP e Governo

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O número dois socialista acredita que as negociações no orçamento podem chegar a bom porto Daniel Rocha

No dia em que o Partido Socialista está em reuniões non-stop sobre a situação política e o Orçamento, com a comissão política nacional marcada para as 21h desta sexta-feira, o secretário-geral adjunto demarca-se, com delicadeza, do discurso duro do presidente do PS, Carlos César, contra Bloco de Esquerda e PCP. “O mais importante é que as negociações possam continuar”, disse José Luís Carneiro ao programa Interesse Público, emitido na manhã desta sexta-feira nas redes sociais do PÚBLICO.

Sem nunca hostilizar os “parceiros”, José Luís Carneiro admite que algumas das propostas do PCP e do BE são movidas pela necessidade de reparar “injustiças” que se devem procurar corrigir “em conjunto”: “Quando os parceiros à nossa esquerda propõem algumas soluções é evidente que estão preocupados com injustiças que temos que procurar corrigir em conjunto. São injustiças que prevalecem por vezes há décadas, algumas resultaram das opções das políticas de direita em função da assistência financeira internacional”.

Reconhecendo os “esforços” que foram feitos de 2015 até hoje, José Luís Carneiro mostra-se convicto de que o diálogo é para continuar. “As medidas anunciadas ontem [no Conselho de Ministros de quinta-feira] são a demonstração clara de que há um esforço imenso que estamos a fazer, e queremos continuar a fazer, com convicção e com determinação, para nos aproximarmos daqueles que têm sido suporte fundamental para podermos ter um país que seja mais justo, mais solidário no presente mas também com as gerações futuras”. Ou seja, “o esforço” tem “vindo a ser feito de forma profunda”, mas o secretário-geral adjunto garante que o “PS continuará nesse esforço para viabilizar o Orçamento de Estado”. 

Para o secretário-geral adjunto, o Orçamento tal como foi entregue na Assembleia reforça já o investimento público “em áreas consideradas vitais para a esquerda”.

“Estou a falar do reforço do investimento no SNS, que tem previsto mais 700 milhões de euros. Se contabilizarmos o reforço do investimento que vem de 2015 e o investimento previsto para 2022 estamos a falar de mais de 4 mil milhões de euros.” Carneiro cita também os investimentos na habitação, recuperação de aprendizagens, transportes, mobilidade e “políticas de rendimentos, o elemento mais distintivo além do investimento público, relativamente às opções da direita”.

O secretário-geral adjunto do PS apela à “aproximação de posições” e a que não haja “intransigência daqueles que exigem transigência ao Partido Socialista”. “Acho que se todos tiverem capacidade para aproximar as suas posições, certamente vamos encontrar uma saída que garanta um orçamento justo e condições mais dignas para todos os nossos concidadãos”.

A situação internacional é apresentada como razão para tentar fugir a um maior endividamento, porque o tempo dos juros baixos do financiamento da dívida pode estar para acabar. “É muito importante que todos tenham consciência dos momentos difíceis que estamos a viver em termos internacionais, nomeadamente a escassez das matérias-primas. O aumento significativo dos custos dos transportes está a provocar o aumento da inflação e o aumento da inflação significa, a curto, médio prazo, a eventualidade de dinheiro mais caro” e “sabemos bem o que significa dinheiro mais caro para as responsabilidades orçamentais do Estado português”. 

Ao PÚBLICO, José Luís Carneiro afirma que os portugueses querem a aprovação do Orçamento: “A consequência da não aprovação de um Orçamento do Estado é a instabilidade política. Eu pergunto se algum português nesta altura quer a instabilidade política?”. Acredita que se “for feita uma avaliação de cabeça fria, com ponderação, com sensatez, todos chegarão à mesma conclusão”: “Os portugueses não desejam uma crise política”.