Professores em greve dia 5 de Novembro

Os professores e educadores anunciaram esta quarta-feira uma greve nacional para o próximo dia 5 de Novembro.

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Fábio Augusto

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Federação Nacional de Educação (FNE) anunciaram esta quarta-feira uma greve de professores e educadores no próximo dia 5 de Novembro, uma sexta-feira.

“É com enfoque na exigência de serem retomados o diálogo e a negociação, essenciais em democracia, mas negados pelos responsáveis do Ministério da Educação, que a Fenprof decidiu convocar Greve Nacional de Professores e Educadores para 5 de Novembro”, refere o comunicado enviado às redacções. 

A data escolhida coincide com o dia em que o ministro da Educação estará na Assembleia da República para “defender a indefensável proposta de Orçamento do Estado para 2022, na área da Educação”, explica a estrutura sindical no referido comunicado. A função pública já anunciou uma greve para dia 12 de Novembro e no sector da saúde já existe um mês de greves já marcadas: médicos, enfermeiros, técnicos de emergência e farmacêuticos.

O principal motivo de insatisfação da Fenprof é a inexistência de medidas relacionadas com a profissão no Orçamento do Estado (OE) que alterem o actual estado do ensino. A Fenprof sublinha que a proposta de Orçamento “veio confirmar o desrespeito do Governo pelos professores e educadores ao ignorar em absoluto os seus problemas”, já que não contém medidas que promovem a atractividade da profissão numa altura em que “escasseiam os docentes" argumentam.

Pelo menos três dos oito sindicatos independentes de professores apresentaram também pré-avisos de greve para o mesmo dia. A última vez que os sindicatos de professores convocaram uma greve conjunta foi em 2019, contra o trabalho em excesso. Em 2017 e 2018 também se realizaram greves conjuntas para exigir a contagem integral do tempo de serviço que esteve congelado. A que teve mais impacto foi a greve de 2018 às reuniões de avaliação, que afectou milhares de alunos.

Esta terça-feira, cerca de duas dezenas de representantes da Fenprof estiveram cerca de oito horas no Ministério da Educação, entre as 11h e as 19h, pressionando para que a tutela agendasse uma reunião negocial para debater os problemas do sector. Mário Nogueira, secretário-geral da federação, acusou o ministro da Educação de “desrespeito pelos professores e pelas organizações sindicais” e adiantou que não obtiveram qualquer tipo de resposta durante todo o dia.

Mário Nogueira contou ao PÚBLICO que a 7 de Outubro entregou ao Ministério da Educação propostas da federação sindical relativas “ao funcionamento das escolas, aos recursos que elas têm, aos problemas dos professores relacionados com a carreira, a precariedade e o envelhecimento”.

Um mês de greves na saúde

Desde a apresentação do Orçamento do Estado para 2022 foram anunciadas quatro greves de profissionais de saúde. Há paralisações marcadas para Outubro e Novembro.

O desgaste dos profissionais de saúde e o descontentamento com o Orçamento do Estado para 2022 estão motivar a marcação de greves por parte das várias estruturas sindicais. Desde a inédita união de sete sindicatos de enfermeiros até à primeira greve em 20 anos marcada pelos farmacêuticos, multiplicam-se os protestos na área da saúde, numa altura em que a pandemia está mais controlada.

Os enfermeiros foram o primeiro sector a convocar uma greve nacional, anunciada na terça-feira, para a primeira semana de Novembro – esta sexta-feira, avançaram que será nos dias 3 e 4​. Além disso, agendaram também uma concentração para o dia 28 deste mês em frente à Assembleia da República.