Casa Branca recusa pedido de Trump para bloquear acesso a documentos sobre invasão ao Capitólio

Washington deu ao Arquivo Nacional um prazo de 30 dias para a entrega dos documentos sobre os quais o ex-Presidente dos EUA reivindicou privilégio executivo.

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A invasão do Capitólio de 6 de Janeiro, protagonizada por apoiantes de Donald Trump Leah Millis/Reuters

A Casa Branca recusou formalmente o pedido do ex-Presidente norte-americano Donald Trump para exercer o privilégio executivo e bloquear a entrega de um conjunto de documentos que a comissão que investiga o ataque no Capitólio queria consultar.

Numa carta enviada ao Arquivo Nacional na sexta-feira passada, mas divulgada na quarta-feira, Dana Remus, da equipa de advogados da Casa Branca, informou que o Presidente norte-americano, Joe Biden, “não apoia a reivindicação de privilégio executivo do antigo Presidente”. Justificou ainda que Biden “reflectiu sobre o pedido do ex-Presidente” e realizou “consultas adicionais” com o Departamento de Justiça para abordar a situação.

“Pelas mesmas razões expostas na minha carta anterior, o Presidente mantém a sua conclusão de que o pedido de privilégio executivo não vai ao encontro dos interesses dos EUA”, explicou.

“Perante a urgência da necessidade da comissão” de investigação, Biden ordenou que o Arquivo Nacional entregue os materiais “identificados como privilegiados” por Donald Trump “num prazo de 30 dias depois da notificação ao ex-Presidente, à margem de qualquer ordem judicial”, continuou Remos.

A decisão da Casa Branca é encarada como um convite para acelerar e intensificar o ritmo da investigação sobre o ataque ao Capitólio de 6 de Janeiro, protagonizado por apoiantes de Donald Trump. Para a investigação foram pedidos “todos os documentos e comunicações na Casa Branca” durante 6 de Janeiro a várias agências federais, incluindo o Arquivo Nacional.

A comissão mostrou-se preparada para recomendar ao Departamento da Justiça que os antigos aliados de Trump sejam formalmente acusados caso recusem responder às intimações.

O representante democrata Adam Schiff, que também preside a comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, disse estar “preparado” para recomendar a acusação criminal dos membros do círculo próximo de Trump – que não testemunhou ou entregou documentos.

“Queremos garantir que estas testemunhas prestarão o seu depoimento e apelamos ao Departamento da Justiça para acusar criminalmente quem não responder ao seu dever legal”, continuou.

Nesse sentido, a comissão emitiu na quarta-feira uma intimação a Jeffrey Clark, antigo responsável do Departamento da Justiça da Administração Trump, para testemunhar e entregar todos os seus documentos, por alegadamente ter pressionado o sistema judicial federal norte-americano para ajudar Trump a contornar o resultado eleitoral de 2020.