Está aí o filme-concerto da Madame X

O filme de Nuno Xico, Sasha Kasiuha e Ricardo Coelho apanha a digressão mais pequena e intimista de Madonna, aquela que promoveu o seu 14.º álbum, iniciado em Lisboa, passa esta sexta-feira, às 20h, na MTV.

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Madonna em Madame X, o filme-concerto com o mesmo nome do álbum DR

A digressão de promoção de Madame X, o 14.º disco de Madonna que teve génese em Lisboa, com muitas colaborações locais, é o foco de Madame X, um filme-concerto realizado por Nuno Xico, Sasha Kasiuha (que perfazem o duo SKNX) e Ricardo Coelho. Teve estreia esta sexta-feira, na plataforma americana Paramount+, e passa esta noite, às 20h, na MTV Portugal.

Assente em duas actuações no Coliseu de Lisboa e uma em Paris, a meio da digressão que começou na segunda metade de 2019 e passou por Portugal em Janeiro, tendo sido alvo de cancelamento, primeiro de algumas datas, e depois do aparecimento da pandemia, apanha esta série de concertos mais pequenos e intimistas do que o normal.

Falando com o PÚBLICO por telefone a partir de Nova Iorque, Nuno Xico, que trabalha com Madonna há mais de uma década, explica que “este não é o típico filme-concerto”. Não é só por incluir cenas de bastidores. “A abordagem foi um bocado diferente, queríamos tentar destilar o conceito do álbum e do espectáculo em si e passar isso para o filme”, explica, mencionado que há um excerto de Madonna: Truth or Dare, o documentário realizado por Alek Keshishian em 1991. “Ela tem esta mensagem política, de dar voz às minorias, toda essa atitude. Tentamos mostrar que ela está a fazer isto há 30 anos e se continua a bater pelas mesmas coisas”, continua. “Acaba por ser um ciclo, um bocado uma reflexão da vida e da carreira artística dela”, remata.

Havia planos para filmar em salas sem público, e ter muito mais tempo de rodagem, mas a pandemia trocou-lhes a volta. Há material recolhido noutros concertos, com iPhones e outros formatos, cortesia de Ricardo Coelho, que trata da imagem para as redes sociais da artista. “A nível de material havia bastantes limitações. Um dos desafios foi pegar no que existia e fazer algo em que o todo seria maior do que as partes”, conta.

O co-realizador e Sasha Kasiuha são também montadores, e o processo de montagem em Los Angeles durou de Setembro a Maio e teve supervisão directa da própria Madonna, além do terceiro realizador. “Estávamos em Los Angeles a editar com ela. Trabalhávamos seis dias por semana e ela vinha duas ou três vezes”, partilha. “Foi um processo super-exaustivo e criativo. Nada lhe passa ao lado. Ela sabe o que quer, mas é muito colaborativa. Não diz ‘quero isto, tenho de fazer isto’, diz antes ‘sei o que quero, mas quero perceber o que vocês acham que quer ser'”.