Pedro Nuno atira-se a João Leão por causa da CP: “Se estivesse dependente de mim estava resolvido”

O ministro das Infra-estruturas criticou o seu colega das Finanças pela não aprovação do plano de orçamento da CP, pelo não saneamento da dívida e pela demora em autorizar “a compra de umas rodas”. Se fosse ele a mandar, “estava resolvido”.

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Pedro Nuno Santos elogiou o demissionário presidente da CP e compreendeu as razões da saída de Nuno Freitas LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

O ministro das Infra-estruturas culpou esta terça-feira a máquina das Finanças pelo “desalento” que levou o presidente da CP, Nuno Freitas, à demissão antes do fim do mandato. Em declarações aos jornalistas, Pedro Nuno Santos atacou directamente, embora sem o nomear, o seu colega de Governo João Leão, ministro das Finanças, dizendo que se “a dívida histórica da CP” ou “as autorizações para compras fundamentais ao funcionamento” da empresa dependessem de si, o assunto “estava resolvido”. 

“Se estivesse dependente de mim estava resolvido”. Como?, perguntaram os jornalistas. “Tínhamos um plano de actividades e orçamento aprovado em tempo e a empresa não esperava meses para conseguir uma autorização para fazer as compras que são fundamentais para o seu funcionamento. Não tínhamos uma dívida histórica com a dimensão que a CP tem sem a resolver. Estava resolvido”.

O ministro elogiou o demissionário presidente da CP e compreendeu as razões da saída de Nuno Freitas: “É muito difícil pedirmos a um grande gestor, um homem sério, com capacidade de trabalho e realização, que fique muito tempo numa empresa que não consegue ter um plano de actividades e orçamento aprovado, que tem uma dívida histórica gigantesca e que não pode ser saneada, retirando capacidade e autonomia de gestão à empresa. E que demora meses para ter uma autorização para comprar umas rodas. É absolutamente compreensível o desalento do presidente da CP”. 

Para Pedro Nuno Santos, a saída de Nuno Freitas é péssima para o Estado. “Nós perdemos hoje o melhor presidente que a CP já teve em toda a sua história. O engenheiro Nuno Freitas estava a liderar uma revolução na CP, a fazer um trabalho extraordinário, a permitir que o Estado poupasse milhões de euros com a recuperação de material que nós estávamos a fazer”, disse o ministro, para quem o abandono de funções do gestor “é uma grande perda para a CP, uma grande perda para mim e uma grande perda para o Estado português”. com Lusa