Rui Rio: o “vale tudo” de Costa numa campanha PS feita de “metralhadora” em punho

O líder do PSD escolheu Matosinhos para comício que reflecte a sua aposta num concelho onde não há tradição social-democrata. Em terra onde o PS reina há 45 anos, António Costa foi o alvo do sua intervenção.

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LUSA/JOSÉ COELHO

Para António Costa, “vale tudo” em campanha. Quem o diz é Rui Rio, que, no comício desta segunda-feira ao final da tarde em Matosinhos, lançou algumas farpas ao primeiro-ministro face às declarações proferidas no domingo sobre o encerramento da refinaria da Galp, em Leça da Palmeira, e às “promessas” de ver no Plano de Resiliência e Recuperação (PRR) uma bóia de salvação para todos os problemas. 

Com mais de uma hora de atraso, pouco depois das 19h, o líder social-democrata falou para uma plateia de cerca de uma centena de pessoas na cidade que considera ser uma das grandes apostas do partido para as autárquicas. Recorde-se que há mais de 45 anos que em Matosinhos nenhum outro grupo partidário, além do PS, chegou à liderança da câmara — à excepção do mandato de Guilherme Pinto, que se candidatou contra o seu partido depois de algumas desavenças dentro da concelhia socialista matosinhense, tendo cumprido o mandato como independente até morrer, no início de 2017. No final do mesmo ano, a socialista Luísa Salgueiro voltou a recuperar a autarquia para o PS.

Para uma plateia que se dividia entre apoiantes do PSD e do CDS-PP, Rui Rio recorreu a uma “cábula” para “não falhar nenhuma vírgula”, encetando um recado endereçado a António Costa, que no dia anterior prometeu uma “lição exemplar” à Galp por ter encerrado a refinaria em Leça para concentrar as operações em Sines.

Para isso, recuou a 7 de Maio deste ano, altura em que Rio diz ter ouvido de Costa, na pele de primeiro-ministro, o anúncio do “enorme ganho para as emissões” resultantes do encerramento da refinaria. Ontem, “enquanto secretário-geral do PS”, considera ter entrado em contradição ao sugerir represálias para a empresa, da qual o Estado detém 7% das cotas. “O secretário-geral do PS desdisse o primeiro-ministro”, conclui.

Esta mudança de posições, considera o líder do PSD, demonstra que para Costa “vale tudo” em campanha. Mais do que isso, entende revelar alguma insegurança: “[Costa] tem noção de que as autárquicas lhe podem correr mal”, atira. 

Seguindo nos ataques dirigidos ao primeiro-ministro, repetiu o que já tinha dito no almoço-comício da campanha, na Maia, umas horas antes. “[Costa] não anda de bazuca, anda de metralhadora”, afirma, numa referência ao PRR. Rio acusa o secretário-geral do PS de “disparar em todas as direcções” e “em rajada”. ao prometer, em todos os concelhos por onde passa, soluções “que as pessoas querem ouvir”, recorrendo ao PRR, que diz ser dinheiro de todos e não um exclusivo das lideranças socialistas.

E diz que Matosinhos não foi escolhida por acaso para realizar o seu comício. Fê-lo por querer apostar e acreditar numa mudança do “rosa” para o “laranja” num concelho sem tradição social-democrata. Depois de uma tarde passada ao lado de Vladimiro Feliz, no Porto, chegou a Matosinhos num autocarro com a cara do candidato portuense estampada na lateral para apoiar Bruno Pereira, que entra na corrida pela autarquia do concelho vizinho numa coligação PSD-CDS-PP.  

Sobre o futuro da refinaria, o candidato autárquico social-democrata garante: “Não aceitarei qualquer indústria poluente nos terrenos da Galp”.