Ameaça dos negacionistas pode implicar reforço da segurança pessoal dos políticos

Aumento de agressividade e violência nos protestos dos negacionistas levou as autoridades a elevar também o nível de alerta para eventuais riscos para a segurança pública e de figuras de autoridade, nomeadamente políticos.

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Nuno Ferreira Santos

A subida do tom dos protestos dos negacionistas, associado também a um aumento da agressividade por parte dos mesmos, obrigou as autoridades a elevar também o nível de alerta para eventuais riscos para a segurança pública e de figuras de autoridade, nomeadamente políticos.

Alguns políticos poderão mesmo ter a segurança pessoal reforçada e as autoridades poderão implementar medidas também mais duras de reacção aos negacionistas, uma vez que há um maior risco de desenvolverem actividades ilegais mais frequentes e violentas.

A notícia é avançada, esta sexta-feira, pelo Jornal Expresso que dá conta que foram os insultos de um grupo de negacionistas da covid-19 a Eduardo Ferro Rodrigues, enquanto o presidente da Assembleia da República almoçava num restaurante junto ao Parlamento, onde decorria uma manifestação do movimento, que provocou essa subida de alerta por parte das autoridades.

Ao PÚBLICO fonte da PSP explicou que o processo de monitorização dos riscos de segurança é permanente e toda a informação é relevante para a avaliação e adequação das medidas de segurança que são ou não mexidas, consoante as ameaças.

E as autoridades há muito que seguem os movimentos dos negacionistas, sobretudo porque, já antes do episódio que envolveu Ferro Rodrigues, tinham protagonizado outros actos que causaram preocupação e que indicaram que os protestos poderiam subir de tom. Foi o caso dos insultos e empurrões ao vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador da task force da vacinação contra a covid-19, junto a um centro de vacinação em Odivelas, em meados de Agosto, e os insultos do juiz negacionista Rui Fonseca e Castro aos agentes da PSP que faziam o cordão de segurança à porta do Conselho Superior da Magistratura, onde o magistrado suspenso de funções ia ser ouvido, na semana passada.

Acresce que, na última manifestação junto ao Parlamento, os negacionistas protestaram, por exemplo, contra a obrigatoriedade do uso de máscaras nas escolas e terão queimado várias máscaras junto a um grupo de crianças.

Além disso, as autoridades também vão estar atentas a novos protestos dos negacionistas, sobretudo porque têm feito, nas redes sociais, incentivos à abstenção nas próximas eleições autárquicas e a um protesto nesse dia no centro de Lisboa.