PSD protesta contra “propaganda” da bazuca mas não faz queixa à CNE

Rui Rio tem insistido nas críticas à forma como António Costa usa as verbas do PRR na campanha

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Rui Rio opta por fazer a denúncia política e não apresentar queixa LUSA/JOSÉ COELHO

O PSD tem protestado contra a forma como António Costa usa o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) na campanha autárquica mas não vai avançar com nenhuma queixa na Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Os discursos do líder socialista e primeiro-ministro nos comícios do partido feitos em torno do dinheiro da bazuca têm suscitado fortes críticas por parte de Rui Rio e de outras vozes sociais-democratas.

Na semana passada, numa declaração política no Parlamento, José Cancela Moura, que é também candidato do PSD a Vila Nova de Gaia, lançou um “repto” à CNE para que verificasse as “acções de propaganda” de Costa e de um “carrossel” de ministros em torno do Plano de Resiliência (PRR) durante a campanha para as autárquicas. 

Ficou o desafio, mas o PSD não irá avançar com qualquer queixa à CNE, segundo fonte oficial do partido, considerando que fez a denúncia política sobre o assunto. A CNE tem poderes de escrutínio sobre a neutralidade das campanhas autárquicas mas só pode intervir mediante a apresentação de uma queixa. Já na manhã desta sexta-feira, citado pela Lusa, o presidente social-democrata afastou a apresentação de qualquer queixa.

“Não vale a pena fazer a queixa, está feita, a CNE na prática já disse que temos razão, agora o que quero é que os eleitores castiguem e digam aos políticos que não vale a pena andarem a prometer o que não vão cumprir”.

Rui Rio considera que a “distribuição dos milhões do PRR” têm sido “a base da campanha” de António Costa e acusa-o de associar a capacidade de canalizar verbas europeias aos candidatos autárquicos do PS.

Numa das intervenções num encontro de autarcas social-democratas, no início de Setembro, o líder do PSD acusou António Costa de usar a “bazuca” para “fogo-de-artifício de facilidades e ilusões, ao género da bandalheira socialista” que já levou o país "à bancarrota”.

A crítica sobre as promessas estendeu-se ao anúncio do secretário-geral do PS sobre a viabilização, para breve, da maternidade de Coimbra, o que Rio considerou ser um “descaramento” e uma “promessa impossível” de realizar. 

Também o eurodeputado Paulo Rangel reforçou, há dois dias, essa crítica ao líder do PS, quando, em Estrasburgo, sobre a campanha do PS em torno das verbas do PRR, e perante a presidente da Comissão Europeia Ursula Von der Leyen, lhe pediu que estivesse “atenta”. 

António Costa tem-se defendido das críticas, argumentando que o PRR "não é um plano do PS” mas sim “um plano para o país”.