Jerónimo de Sousa pede um “novo rumo” para o país e cola o PS ao PSD e ao CDS

Secretário-geral do PCP foi à Festa do Avante! dizer que o “país precisa de se libertar do ciclo vicioso da política de direita” e deixar em cima da mesa um pesado caderno de encargos.

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Jerónimo de Sousa alerta para os problemas estruturais do país LUSA/TIAGO PETINGA

Jerónimo de Sousa fez neste domingo um retrato negro do país, deixou um longo caderno de encargos ao Governo para negociar no âmbito do próximo Orçamento do Estado e avisou que o seu partido lutará pela “ruptura e alternativas necessárias”. “O PCP bater-se-á a todos os níveis e em todos os espaços de intervenção por cada medida necessária ao nosso povo e ao nosso país”, declarou o secretário-geral dos comunistas, deixando críticas à “política de direita que falhou, no que respeita aos interesses do país”.

No longo discurso que proferiu no encerramento da Festa do Avante!, na Quinta da Atalaia, em que colou o PS aos partidos da direita (PSD e CDS), o secretário-geral comunista voltou a defender o aumento dos salários e pediu mais investimento nos serviços públicos, designadamente no Serviço Nacional de Saúde.

Elogiou os trabalhadores que “têm dado um magnífico exemplo perante as piores adversidades” e referiu que o caminho a seguir não é o da da resignação e do conformismo, o caminho é o “da luta e do avanço”. “A ampliação e o reforço da luta dos trabalhadores e do povo são uma exigência da hora presente, neste momento em que o conjunto das forças do grande capital se reagrupa e reorganiza, como se vê na articulação das confederações patronais e na acção convergente dos 42 grupos económicos que se apresentam agora a pretexto da recuperação do país a exigir o que melhor serve os seus interesses egoístas”, defendeu Jerónimo, que se insurgiu contra a degradação dos salários e direitos dos trabalhadores.

As leis laborais não ficaram fora do discurso do líder do PCP. “Querem manter o máximo dos retrocessos impostos por PS, PSD e CDS nas leis laborais nos últimos anos e, neste tempo, que lhes cheira a dinheiros públicos frescos, querem uma parte de leão”, disse, acrescentando que, “nesta ofensiva mistificadora, contam com as forças políticas mais retrógradas e reaccionárias como o PSD e o CDS e seus sucedâneos da Iniciativa Liberal e do Chega, que fazem o papel de lebre de corrida com as suas propostas de ditas reformas estruturais e de revisão constitucional e das leis eleitorais para garantir maiorias ratificais”.

“Nesta operação concertada entre as forças do grande capital e as forças políticas (…), contam com a complacência e cumplicidade do Governo do PS, como se vai vendo nas suas opções de defesa das normas gravosas das leis laborais, nas suas escolhas em relação ao Novo Banco, no assistir sem pestanejar a tentativas de despedimentos colectivos a encerramento de empresas”, apontou.

Jerónimo de Sousa, que nunca falou do Orçamento do Estado para 2022, deteve-se depois a apontar os campos em que a “política de direita” falhou, no que respeita aos interesses do país. “Falhou no plano económico, falhou no plano social, falhou no plano político”, referiu, explicando cada um deles. E atirou: “O país não precisa mais do mesmo, mas de se libertar do ciclo vicioso da política de direita e dos problemas acumulados que criou. O país precisa de avançar e encetar um novo rumo.”

Alertando para o facto de a pandemia ter trazido alguns problemas, Jerónimo vaticinou que os próximos tempos são de uma “grande exigência, sob pena de se aprofundarem défices, desigualdades e injustiça”. “Portugal tem um conjunto de problemas estruturais que se traduzem em preocupantes défices, nos domínios da produção, da ciência e tecnologia, da energia, mas também demográficos, que se interligam e influenciam mutuamente, tal como as medidas que se entrecruzam e que são necessárias para os superar”, referiu, deixando um conjunto de respostas para superar o “grave défice produtivo”, mas também o “défice alimentar”. “É necessário um programa de substituição de importações por produção nacional o que exige enfrentar as imposições da União Europeia que arrasam com a agricultura, as pescas e a parte da indústria nacional”, defendeu o líder do PCP.

Quanto às eleições autárquicas, o comunista destacou a importância deste combate. “Estamos a escassos 20 dias das eleições para as autarquias locais. Essa é uma importante batalha eleitoral, uma batalha para travar com confiança com os olhos no futuro que estamos e queremos construir, para crescer e avançar, para confirmar e reforçar posições, para ampliar a nossa influência e o que ela significa de possibilidades para servir as populações e as suas aspirações”, proclamou.