Galp critica Governo sobre fixação de margens nos combustíveis

Andy Brown afirma que há “erros” do relatório da ENSE sobre os preços dos combustíveis e destaca peso dos impostos nos preços nos postos de abastecimento

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Paulo Pimenta

O presidente da Galp, o britânico Andy Brown, está “muito desiludido” com a intenção do Governo de fixar temporariamente margens máximas de comercialização dos combustíveis e do gás de garrafa quando estas forem consideradas demasiado altas.

Numa conferência telefónica com analistas, o gestor disse-se “muito triste” com a decisão do Governo e considerou que o relatório da Entidade Nacional para o Sector Energético (ENSE), no qual o executivo de António Costa baseou a sua decisão, tem “muitos erros” na forma como foram calculadas as margens brutas das empresas.

Recorrendo a uma expressão idiomática inglesa, barking up the wrong tree, ou “ladrar para a árvore errada”, usada para dizer que alguém tem uma ideia errada sobre determinado assunto, Brown salientou que quando se olha para os preços em bomba, 12% dizem respeito a custos de distribuição, de um negócio que representa apenas 7% do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) da Galp, mas 40% dos seus trabalhadores.

“Esta ideia, de que é daqui que fazemos todo o nosso dinheiro, é triste”, assinalou o presidente da Galp, sublinhando que sobre o preço final dos combustíveis pesam cerca de 60% em impostos, numa das que é das “tributações mais pesadas da Europa”, defendeu.

O presidente da Galp disse que a empresa terá de esperar pelo diploma, para perceber como será afectada pela medida e adiantou que embora ainda não se tenha feito ouvir muito sobre o tema, vai tentar explicar ao Governo que “qualquer regulação [de preços] é má”.

Na semana passada, o ministro do Ambiente anunciou que o Governo quer passar a fixar por portaria, por períodos de um ou dois meses, margens máximas de comercialização de combustíveis sempre que estas estiverem acima da média de períodos anteriores.

O ministro justificou a medida com o relatório recente da ENSE que concluiu que, em Junho deste ano, as margens brutas das comercializadoras estavam 36,6% acima das margens médias de 2019 na gasolina, sendo a diferença de 5% no gasóleo.