Actividade económica recua com efeito da quarta vaga

Indicador diário de actividade económica recua pela segunda semana consecutiva, caindo para o valor mais baixo desde meados de Abril.

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Nuno Ferreira Santos

Afectada pelo retrocesso no desconfinamento em diversos concelhos do país, a economia portuguesa voltou, nas duas primeiras semanas de Julho, a uma tendência de recuo. Um revés que constitui um risco para as projecções de retoma forte da economia que estão a ser feitas para a segunda metade deste ano.

O indicador diário de actividade económica calculado pelo Banco de Portugal – e que é um dos dados que permite com mais rapidez medir a evolução da economia – registou, na semana entre 12 e 18 de Julho uma deterioração. A variação média do indicador face ao mesmo período de 2019 (não se usa o ano de 2020 como referência para evitar a distorção gerada pelos dados muito negativos do início da pandemia) passou de 0,6% para -4,2%.

Já na semana entre 5 e 11 de Julho se tinha assistido a uma deterioração deste indicador (que passou de 1,7% para 0,6%), confirmando-se agora o regresso a variações negativas, com o indicador a atingir o valor mais baixo desde meados do passado mês de Abril.

Este recuo na actividade económica acontece depois de um período, entre Maio e Junho, em que a evolução foi positiva, o que levou a que diversas entidades, incluindo o Governo, mostrassem um maior optimismo nas suas previsões para o crescimento da economia durante o ano de 2021. João Leão, o ministro das Finanças, assumiu que o crescimento pudesse chegar aos 5% este ano.

No entanto, o surgimento da quarta vaga da pandemia - que teve como consequências o recuo no processo de desconfinamento que se tem vindo a verificar em vários concelhos, um dos primeiros Lisboa, e a diminuição do número de turistas a chegar ao país - está agora, de forma clara, a limitar a evolução da actividade económica. A Comissão Europeia, nas previsões divulgados no início deste mês, excluiu Portugal do cenário de melhoria geral que antecipou para a zona euro, citando precisamente os efeitos que a quarta vaga da pandemia poderiam vir a ter na economia.

Ainda assim, em comparação com o que aconteceu, quer no início da pandemia, quer no auge da segunda e terceira vaga, a variação negativa da actividade económica é, para já, mais moderada.

Para calcular o indicador diário de actividade económica, o Banco de Portugal utiliza os dados disponíveis de forma quase imediata relativos ao tráfego rodoviário de veículos comerciais pesados nas auto-estradas, ao consumo de electricidade e de gás natural, à carga e ao correio desembarcados nos aeroportos nacionais e às compras efectuadas com cartões em Portugal por residentes e não residentes.