Popularidade de Bolsonaro continua a cair e Lula é cada vez mais favorito para 2022

Desde o início do ano que a aprovação do Presidente brasileiro está em queda livre, coincidindo com o pior período da pandemia da covid-19.

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Bolsonaro é responsabilizado directamente pela crise sanitária no Brasil, onde a pandemia já superou meio milhão de mortos Reuters/STRINGER

São cada vez mais os brasileiros desagradados com o Governo de Jair Bolsonaro, que continua a afundar-se nos estudos de opinião. Ao mesmo tempo que o ex-Presidente Lula da Silva aparece bem colocado para vencer as eleições do próximo ano logo à primeira volta.

O inquérito do Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), um instituto fundado recentemente por antigos especialistas do Ibope, mostra uma subida de dez pontos percentuais da desaprovação do Governo brasileiro face ao anterior estudo realizado em Fevereiro – de 39% passou para 49%. A aprovação da gestão de Bolsonaro caiu, passando de 28% para 24%.

Estes resultados confirmam a erosão acelerada da popularidade do Presidente brasileiro que já era verificada por outros estudos. Em Maio, o Datafolha mostrava já uma aprovação de apenas 24% e uma rejeição do Governo por 45% dos inquiridos.

Desde o final do ano passado que Bolsonaro tem visto o seu apoio entre a população cair em consonância com o agravamento da crise sanitária causada pela pandemia da covid-19 – no último fim-de-semana foi atingida a marca das 500 mil mortes pela doença. O estudo conhecido na noite desta quinta-feira já mostra o primeiro impacto junto da opinião pública das revelações que têm sido feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pelo Senado que investiga a gestão da pandemia pelo Governo.

A degradação da imagem pública de Bolsonaro também fica patente nas escolhas eleitorais dos brasileiros face às presidenciais de Outubro do próximo ano. O maior beneficiado é Lula da Silva, que aparece na sondagem do Ipec com 49% das intenções de voto, ficando à beira de uma vitória logo à primeira volta – a margem de erro do estudo é de 2 pontos percentuais.

Bolsonaro mantém-se em segundo lugar, mas muito distante do ex-Presidente, com apenas 23%. Atrás aparece o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, com 7%, o governador de São Paulo, João Doria, com 5%, e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. com 3%.

Outro indício que preocupa o actual inquilino do Palácio do Planalto é a crescente rejeição indicada pela sondagem – passou de 56% para 62% – que corresponde à fatia do eleitorado que garante não votar num determinado candidato em qualquer circunstância. A rejeição de Lula, por seu turno, passou de 44% em Fevereiro para 36%.