Marcelo em Sófia destaca que o papel dos Presidentes é pilar da estabilidade

Equilíbrio entre facilitismo e alarmismo é a receita do Presidente da República para os Santos Populares.

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Os dois chefes de Estado durante a conferência de imprensa LUSA/ANTÓNIO COTRIM

No final de uma reunião, na manhã desta quarta-feira com o seu homólogo búlgaro, Rumen Radev, o Presidente da República assinalou qual deve ser o papel dos chefes de Estado num mundo em pandemia. “O papel dos Presidentes deve ser um pilar de estabilidade”, afirmou.

“Foi [a pandemia] uma crise sem precedentes nas nossas existências”, recordou. “A pandemia impediu-nos de vir mais cedo retribuir a visita”, lembrou, referindo-se à visita a Portugal, em Janeiro de 2019, do Presidente Radev. “Temos um magnífico relacionamento desde 2016, do Grupo de Arraiolos, e que se desenvolveu”, lembrara Marcelo na noite desta terça-feira após um jantar com o seu homólogo.

“Quis o destino que esta visita ocorresse na presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), uma presidência difícil, esforçada, mas em que foi possível avançar na lei do clima, no digital, na transição energética”, considerou esta quarta-feira no Palácio presidencial da Bulgária.

No balanço da presidência portuguesa do Conselho da UE, o Presidente da República não esqueceu outros dossiers de progresso. “No certificado digital de vacinação e na aprovação de mecanismos financeiros para os próximos sete anos”, destacou.

“Os europeus, os portugueses e os búlgaros esperam que haja um arranque económico, mas também social, na saúde, na educação”, anteviu. “A Europa só é forte se a vida dos europeus melhorar, a vida dos búlgaros, a vida dos portugueses”, sintetizou. “Estivemos a viver ao longo do último ano e meio um tempo de pandemia, em que houve vítimas e solidariedade europeia”.

Foi neste contexto adverso que Marcelo Rebelo de Sousa repetiu, em Sófia, um mote em que tem vindo a insistir. “O papel dos Presidentes deve ser um pilar da estabilidade”, sintetizou. Os desafios europeus não são apenas os dos Programas de Recuperação e Resiliência (PRR), os fundos excepcionais para os próximos sete anos. “Uma Europa mais unida, mais justa e mais forte no mundo” é o objectivo.

Marcelo saudou a visão comum europeia entre Portugal e a Bulgária, recorrendo a uma realidade prática. “Temos em comum sermos povos que emigram,”, recordou. Pelo que manifestou a necessidade de criar parcerias de cooperação com os países de onde são oriundos os que procuram na Europa melhores condições de vida.

Os temas europeus já tinham preenchido o jantar privado de terça-feira. Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, os dois chefes de Estado falaram “na Europa e nas relações bilaterais” e também sobre o ponto de situação da pandemia e da vacinação nos dois países.

Sobre a realização dos Santos Populares, Marcelo escusou-se fazer comentários por se encontrar num país estrangeiro. Prometeu que antes de partir para a Madeira, para a celebração do 10 de Junho, tornará pública a sua opinião. Ainda assim, desenhou uma fórmula. “Equilíbrio entre facilitismo e alarmismo”, sintetizou, recordando que a tradicional feira do livro no Palácio de Belém foi adiada.

A Bulgária vai realizar eleições antecipadas em 11 de Julho, apenas três meses após o último escrutínio, depois de três tentativas falhadas de formar um Governo por parte dos partidos mais votados, estando actualmente em funções um executivo de gestão.

O país dos Balcãs com sete milhões de habitantes, considerado o Estado-membro mais pobre da UE, a que aderiu em 2007 com a Roménia pode ser o próximo parceiro da zona euro. A Bulgária permanece no último lugar na vacinação contra a covid-19, cerca de 13% da população adulta já tem pelo menos uma dose, contra perto de 42% em Portugal, e está entre os que registam maior taxa de mortalidade.