Justiça espanhola condena três membros da célula jihadista responsável pelos atentados de Barcelona

Os três acusados, membros da célula jihadista responsável pela morte de 16 pessoas em Agosto de 2017, foram condenados a penas de 8 a 53 anos de prisão.

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Tributo às vítimas dos atentados de 2017 no primeiro aniversário Alejandro Garcia/EPA

A Audiência Nacional de Espanha sentenciou esta quinta-feira três membros de uma célula jihadista responsável pelos atentados de Barcelona a 17 de Agosto de 2017, onde morreram 16 pessoas e mais de 100 ficaram feridas. Nenhum dos membros do grupo de Ripoll perpetrou o ataque, já que tanto o condutor da carrinha na avenida das Ramblas, como o grupo que atacou no passeio marítimo de Cambrils, foram mortos pelos Mossos D'Esquadra, a polícia da Catalunha.

O espanhol Mohamed Houli Chemlal e o marroquino Driss Oukabir foram condenados a 53 anos e meio e 46 anos de prisão, respectivamente, por pertencerem a uma organização terrorista, manufacturar explosivos, por cometerem actos terroristas e por ferirem 29 pessoas na explosão em Alcanar, que ocorreu na véspera dos atentados. O terceiro acusado, Said Bem Iazza, também marroquino, foi condenado a oito anos de prisão por colaborar com a organização terrorista.

Apesar da vontade das famílias das vítimas, dos feridos e dos sindicatos dos Mossos d'Esquadra, a Procuradoria-Geral decidiu não condenar os três arguidos pelos homicídios, referiu o El País.

Foi na noite de 17 de Agosto de 2017, no auge da época turística, que um atacante conduziu uma carrinha alugada contra a multidão que passeava nas Ramblas, atropelando fatalmente 14 pessoas. Enquanto fugia, o atacante matou mais uma pessoa.

No mesmo dia, cinco militantes conduziram um carro contra uma multidão em Cambrils. Levavam consigo falsos cintos explosivos e esfaquearam várias pessoas - uma pessoa morreu.

Na noite anterior aos atentados, a 16 de Agosto, os membros da célula manipulavam explosivos quando aconteceu uma explosão acidental, numa casa ocupada em Alcanar, no sudoeste de Barcelona, onde estavam armazenados explosivos e botijas de gás. Dois membros da célula morreram e Houli ficou ferido e foi transferido para o hospital.

Em tribunal, foram exibidas, entre outras provas, um vídeo inédito, que mostra o atropelamento colectivo nas Ramblas, e outro da preparação de explosivos pelos terroristas na casa de Alcanar. A pessoa por trás da câmara era Mohamed Houli Chemlal.

Só Houli confessou em parte as acusações que lhe eram imputadas, mas afirmou ter sido influenciado pelos restantes membros da célula, liderada pelo imã de Ripoll, Abdelbaki Es Satty, que doutrinou um grupo de jovens da região.