Um quinto dos trabalhadores esteve em teletrabalho durante o confinamento

Taxa de desemprego subiu para 7,1% no primeiro trimestre e a de subutilização do trabalho abrange 14,1% da população activa.

Foto
Segundo o INE, 968 mil pessoas estiveram em teletrabalho no primeiro trimestre Paulo Pimenta

As restrições sanitárias decididas pelo Governo no arranque de 2021 para conter a pandemia levaram a um aumento do número de pessoas em teletrabalho nos primeiros três meses do ano, mas não para os níveis do primeiro confinamento de 2020.

As estatísticas do emprego divulgadas nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que um quinto da população empregada trabalhou “sempre ou quase sempre a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação” no primeiro trimestre de 2021.

Com a imposição do regime de prestação de trabalho à distância a partir de meados de Janeiro sempre que as funções em causa o permitissem e sem necessidade de acordo entre a empresa e o trabalhador, este regime abrangeu 967,7 mil pessoas, o equivalente a 20,7% da população empregada.

Há um aumento face ao trimestre anterior, altura em que estavam 563,3 mil pessoas em teletrabalho (11,9%), mas, ainda assim, nota o INE, o valor fica “abaixo dos 22,6% observados no segundo trimestre de 2020”, no primeiro confinamento. Foi nesse período que se verificou o maior pico, com cerca de um milhão de pessoas em trabalho a partir de casa (1037,8 mil).

Muitas já estavam nesta modalidade, porque as empresas com 50 ou mais trabalhadores dos concelhos com mais casos de covid-19 já estavam obrigadas a adoptar o teletrabalho, mas, com o alargamento da regra, houve mais trabalhadores a passar a exercer a actividade a partir da habitação.

Com este aumento, os partidos começaram a discutir novas normas para regulamentar o teletrabalho, o direito a desligar e formas de definição do pagamento de algumas despesas, como a água ou a energia.

Há 360 mil desempregados

Nos primeiros três meses do ano, o número de pessoas empregadas diminuiu 62,6 mil em relação aos três primeiros meses de 2020. A taxa de emprego era de 54,4% no primeiro trimestre de 2020, estava nos 54,2% no final de 2020 e baixou agora para 53,9% no primeiro trimestre (havia 4681,6 pessoas a trabalhar). A população activa também baixou em termos homólogos (para 5041,7 pessoas), embora pelo meio tenha registado um aumento.

Com a suspensão das actividades e o encerramento de estabelecimentos a levarem as empresas a recorrerem aos mecanismos públicos de suspensão temporária dos contratos ou a layoff, “a população empregada ausente do trabalho na semana de referência aumentou 49,8% (211,3 mil) em relação ao trimestre anterior e 40,5% (183,2 mil) relativamente ao primeiro trimestre de 2020”, refere o INE. Isso fez com que o volume de horas efectivamente trabalhadas registasse uma quebra de 6,4% em relação ao período de Outubro a Dezembro e uma redução homóloga de 7,9%, calcula o instituto estatístico.

Já a taxa de desemprego trimestral registou uma subida de 0,3% em relação ao primeiro trimestre de 2020. Estava em 6,8% um ano antes e ficou nos 7,1% nos três primeiros meses de 2021. Conseguiu ficar num nível mais baixo do que no trimestre anterior, altura em que fora de 7,3%.

A percentagem, refere o INE, foi superior à média nacional em três regiões, o Algarve (10,2%), Madeira (9,6%) e Norte (7,4%); “igual no Alentejo (7,1%) e inferior nas restantes três regiões – Área Metropolitana de Lisboa (6,9%), Região Autónoma dos Açores (6,8%) e Centro (6,2%)”.

Há 360,1 mil pessoas desempregadas. Mas, além destes, se somarmos as pessoas que trabalham a tempo parcial, os inactivos à procura de emprego, mas não disponíveis e os inactivos disponíveis, mas que não procuram emprego, o indicador da “subutilização do trabalho” agrega uma população de 746,4 mil pessoas.

A taxa de subutilização do trabalho, refere o INE, manteve-se “praticamente inalterada em relação ao trimestre anterior” — estava nos 14% —, mas, ao longo do último ano tem vindo a aumentar e, quando se compara com o primeiro trimestre de 2020, quando se registou o agravamento da situação epidemiológica, verifica-se que houve um aumento de 7,8% neste indicador. Há mais 54,3 mil pessoas contabilizadas neste indicador.

Quanto à população inactiva (5235,8 mil pessoas), o INE estima um aumento de 0,7% em relação ao trimestre anterior (34,3 mil pessoas) e uma subida de 0,8% (43,9 mil) face ao primeiro trimestre de 2020.