Pagamentos com contactless disparam 163% impulsionados pela pandemia

O pagamento de compras online cresceu 32,3% em 2020, mostrando uma forte alteração nos hábitos de consumo e pagamento dos portugueses forçados pela doença de covid-19.

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Miguel Manso

O Relatório dos Sistemas de Pagamentos quantifica aquilo que foi a experiência dos portugueses relativamente às opções de compra e de pagamento registados no último ano, profundamente marcado pela pandemia de covid-19. As compras online cresceram 32,3% em número e 9,6% em valor, representando em Dezembro 12,8% do número e 11,6% do valor agregado das compras efectuadas com cartões emitidos em Portugal. As compras online em sites estrangeiros, pagas com cartão, representaram cerca de 65% das compras online realizadas no último ano.

O documento, divulgado esta quinta-feira pelo Banco de Portugal (BdP), mostra a explosão dos pagamentos com recurso à tecnologia contactless, que cresceram 163% em número e 271% em valor, representando 32% das compras em terminais físicos em Dezembro. No final de 2020, 59% dos cartões dispunham de tecnologia contactless (46% em 2019) e 90% dos TPA (terminais de pagamento automáticos) estavam habilitados a funcionar com essa tecnologia (85% em 2019).

Cada compra com essa tecnologia, que dispensa a marcação do código secreto, teve um valor médio de 20,6 euros e os principais sectores em que foi utilizada foram o do comércio a retalho e da restauração.

Apesar do crescimento de vários meios de pagamento, no conjunto do ano, os pagamentos de retalho diminuíram 9,2% em número e 4,1% em valor. Uma redução que acontece após seis anos de crescimento, e que se deve “à contracção do consumo e da actividade económica em ano de pandemia”, avança o BdP.

“O SICOI (Sistema de Compensação Interbancária), que processa a generalidade dos pagamentos de retalho que efectuamos no nosso dia-a-dia, liquidou 2,7 mil milhões de operações, no valor de 501,5 mil milhões de euros.

Entre os meios que cresceram fortemente estão as transferências bancárias, “em grande medida por permitirem a realização de pagamentos não presenciais, sobretudo as transferências imediatas, que cresceram 81,3% em número e 50,4% em valor”, avança o Relatório de Sistemas de Pagamentos. As transferências a crédito aumentaram 8% em número e 3,5% em valor.

Mas outros perderam peso, como os débitos directos, que caíram 5% em número e 7,6% em valor, devido à suspensão de muitos serviços durante o período da pandemia.

No caso dos cheques, a redução foi drástica, reforçando a tendência dos últimos anos: uma quebra de 27,9% em número e de 27,8% em valor.

Portugueses com 2,5 cartões de pagamento

As operações com cartão também registaram um decréscimo, devido sobretudo à redução dos levantamentos e das compras físicas. Os levantamentos de numerário caíram 21,4% em número de operações e 14% em valor. E o pagamento de compras caiu 8,5% em número e 9% em valor. Ainda assim, refere o regulador, os cartões continuaram a ser o instrumento mais usado pelos portugueses, sendo utilizados em 85,3% dos seus pagamentos quotidianos.

Os cartões foram utilizados em 2316,3 milhões de pagamentos, o que corresponde a cerca de 6,3 milhões de operações por dia.

As maiores quebras no montante dos pagamentos recebidos com cartão foram registaram-se no alojamento (-54%), Administração Pública (-51%), restauração (-32,7%) e produtos petrolíferos (-18,1%). 

Segundo o relatório, no final de 2020, existiam 26,2 milhões de cartões de pagamento activos emitidos por prestadores de serviços de pagamento residentes em Portugal, o que corresponde, em média, a 2,5 cartões de pagamento por casa residente no país. Mantendo a tendência de crescimento dos últimos anos, entre 2019 e 2020, o número de cartões aumentou 6,4%.

Os cartões com função de débito continuaram a crescer (7,4%), totalizando, no final do ano, 24,7 milhões, mas o número de cartões de crédito também cresceu 3,9%, contabilizando-se, a 31 de Dezembro de 2020, 8,7 milhões de cartões desta tipologia.

Os instrumentos de pagamento electrónicos, ou seja, cartões de pagamento, débitos directos, transferências a crédito e transferências imediatas assumem uma relevância cada vez maior. “Excluindo o numerário, estes instrumentos foram utilizados em 99,3% dos pagamentos de retalho efectuados, correspondendo a 87,9% do respectivo valor total”. 

​Em média, cada português realizou 225 pagamentos com cartões, 19 com débitos directos, 17,4 com transferências a crédito, 1,8 com cheques e 0,5 com transferências imediatas. Em valor, cada habitante gastou, em média, 12.349 euros com cartões, 2630 euros com débitos directos, 27.225 euros com transferências a crédito, 5876 euros com cheques e 589 euros com transferências imediatas.