Volta ao Dia Internacional dos Monumentos e Sítios: 15 sugestões por todo o país

Barro preto, pegadas de dinossauros, arquitecturas, passeios minados e galochas virtuais cabem no dia 18 de Abril (e noutros), em que a ordem é para mergulhar na descoberta de Passados Complexos: Futuros Diversos.

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Mosteiro de Tibães, Braga Nelson Garrido
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Visitas aos Clérigos. Porto Paulo Pimenta
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Uma Lisboa Subterrânea abre-se a uma visita online DR
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Bisalhães, Vila Real adriano miranda
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Mistérios nocturnos nos Capuchos de Sintra enric vives-rubio
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Passeios por Vila Nova de Paiva paulo pimenta
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“Redescobrir ‘passados complexos’ das nossas Aldeias de Xisto: aqui, Cerdeira, Lousã Sebastião Almeida
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Que se passa à noite no Jardim Botânico de LIsboa? Rui Gaudêncio
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Redescobertas no Museu Nacional de Etnologia, Lisboa DANIEL ROCHA
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Minas do Lousal ADRIANO MIRANDA

Visitas guiadas, ateliers, espectáculos, exposições, jogos, caminhadas, conferências e outras iniciativas multiplicam-se pelo país no momento de celebrar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Assinala-se a 18 de Abril, mas as actividades não se restringem a essa data.

Não há pandemia que atrapalhe a festa: as propostas servem todos os gostos e idades, tanto no espectro virtual como em modo presencial, em cumprimento das normas de saúde pública do momento. Tudo em nome da missão de “sensibilizar comunidades e públicos para uma reflexão sobre o passado e para a importância de prepararmos um futuro mais harmonioso, na consciência de que o património deve, sempre, ser factor de união, de partilha, de cidadania e de resiliência”, como sublinha a Direcção-Geral do Património Cultural, em referência do tema escolhido para 2021, Passados Complexos: Futuros Diversos.

Aqui ficam 15 sugestões, de Norte a Sul e ilhas, seleccionadas entre um alinhamento na ordem das centenas, que pode consultado, com a ajuda de um mapa, no site dedicado.

Mosteiro entre história e míscaros

Em Braga, perspectivam-se Futuros diversos num mosteiro com passado complexo. É este o título da visita ao interior do Mosteiro de São Martinho de Tibães, programada para “descobrir o passado da antiga Casa-mãe da Congregação Beneditina dos Reinos de Portugal” e, simultaneamente, “conhecer a sua actividade presente e alguns dos projectos futuros deste importante espaço cultural”, explica a nota de imprensa. Realiza-se às 11h de domingo e é gratuita. Do mesmo mosteiro chega outra oferenda com uma perspectiva diferente do local, que “serve de habitat a inúmeras espécies da fauna, da flora e de fungos”. É sobre os últimos, os míscaros, que se debruça a actividade que decorre às 10h do mesmo dia (também gratuita), um percurso orientado para lidar com “a complexidade, diversidade e o papel dos fungos na cerca e no futuro do planeta”. Em ambos os casos, os contactos para inscrições são o número 253622670 ou o e-mail e-sec.msmt@culturanorte.gov.pt.

Futuros diversos num mosteiro com passado complexo DRCN/Mosteiro de São Martinho de Tibães
A diversidade de fungos no Mosteiro de São Martinho de Tibães DRCN/Mosteiro de São Martinho de Tibães
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DRCN/Mosteiro de São Martinho de Tibães

De olhos postos no barro preto

A olaria negra de Bisalhães, declarada Património Imaterial da UNESCO em 2016, é o chamariz para um passeio à aldeia, situada em Vila Real. Um arqueólogo e um historiador acompanham os visitantes. Vão partilhando conhecimentos sobre esta tradição ancestral, à medida que fornos comunitários e oficinas de oleiros vão entrando no caminho. Não é preciso inscrição nem bilhete: basta aparecer, às 15h de domingo (contacto para informações: barropretobisalhaes@gmail.com). 

Famílias à Torre dos Clérigos 

“Queremos partilhar consigo uma viagem e uma reflexão pelo nosso passado, revisitando a nossa história de mais de dois séculos”. O desejo é manifestado pela Irmandade dos Clérigos, que promove três sessões de visitas guiadas à Igreja e ao Museu dos Clérigos (domingo, às 10h, 11h e 12h). O convite para conhecer melhor o ex-líbris do Porto vale para toda a família. Dispensa o pagamento de bilhete, mas não a inscrição, que tem de ser feita aqui.

Rua-museu documentada

Outra forma de passear pelo Porto é assistir a um documentário que esmiúça os cinco séculos de uma das suas artérias: a Rua das Flores. Uma Rua do Porto com 500 Anos: Narrativas, Vivências e Formas conta com seis investigadores para mostrar “segredos escondidos e à vista” e para “confirmar a sua importância como paisagem cultural e rua-museu”. Basta sintonizar o YouTube na segunda-feira, às 18h.

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Rua das Flores Arquivo da Universidade do Porto

Caminhantes à beira-Paiva

A beleza natural e o património à beira do rio Paiva são os destinos de dois percursos alinhados pela autarquia de Vila Nova de Paiva. O primeiro, Via Crucis, conduz às ruas da aldeia de Fráguas, para admirar os 14 painéis (correspondentes às 14 estações da Via Sacra) que a pontuam desde a Igreja Matriz até ao antigo Monte do Calvário. O segundo é um périplo pedestre circular, com perto de dez quilómetros, que passa por lugares de interesse que vão da sede de concelho à freguesia de Alhais. Ambas são gratuitas e destinadas ao público em geral, sem necessidade de inscrição (mais informações aqui).

Dinotrilhos na serra

No Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, a antiga Pedreira do Galinha (Estrada de Fátima, Ourém) conserva vestígios de possantes saurópodes que por ali passaram há 175 milhões de anos. Os 20 trilhos de pegadas de dinossauros, que estão entre os maiores do mundo (um deles tem 147 metros de comprimento), podem ser observados numa enorme laje calcária, ao longo de um percurso circular apetrechado com painéis informativos. É um sobe-e-desce de cerca de uma hora, ao ar livre (aconselha-se agasalho), em que o interesse do monumento natural aos nossos pés só rivaliza com a vista da serra que o olhar dali alcança. A entrada é gratuita entre as 10h e as 12h30 deste domingo.

Xisto, visitas e jogo

“Redescobrir ‘passados complexos’ das nossas Aldeias de Xisto, para melhor projectarmos os seus ‘futuros diversos’, através da memória escondida nas pedras, nas letras, no engenho e na arte destes lugares” é o propósito das visitas que o município da Lousã abre online. No domingo, entre as 15h e as 17h, o Zoom serve como janela para ruas, museus e bibliotecas, como plataforma de debate e como lugar para um jogo didáctico em grupo. É só fazer a inscrição (gratuita) aqui.

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Câmara Municipal da Lousã

História e ervas à vista

Apresentado pela autarquia de Torres Vedras como “um dos mais importantes monumentos do calcolítico peninsular, caracterizado pela denominada cultura campaniforme”, o Castro do Zambujal é destino e cenário de uma visita preparada para a ocasião. O passeio cultural ao sítio arqueológico começa às 10h30 de domingo e promete percorrer a história do local – lembrando, por exemplo, as ocupações de quem ali vivia há cinco milénios (metalurgia, mineração, prospecção) –, mas também aproveitar o momento “para fazer o reconhecimento de algumas ervas espontâneas que surgem no local”. A participação é gratuita. Basta fazer a inscrição através do e-mail museu.servico.educativo@cm-tvedras.pt.

Em Sintra, à noite, na morada dos Capuchos

A Parques de Sintra antecipa-se à data com uma iniciativa única e inédita que convida a sair à noite, na sexta-feira, subir ao coração da serra e percorrer as entranhas do Convento dos Capuchos. Assim se entra num edifício simples e austero, que se confunde com a floresta e os penedos da paisagem envolvente, e que durante séculos foi morada dos frades franciscanos que ali buscavam as condições ideais para a contemplação espiritual e a comunhão com a natureza. As visitas nocturnas estão agendadas para 16 de Abril, com várias sessões de meia-hora, entre as 18h e as 21h45. Os bilhetes, vendidos exclusivamente online, custam 7€, ficando em 5,50€ para jovens (dos seis aos 17 anos) e seniores. Crianças até seis anos não pagam.

A que cheira um jardim à noite?

É também à noite que o Jardim Botânico de Lisboa festeja a data. “O que se ouve e cheira?” “Será que conseguimos ver alguns dos seus habitantes no crepúsculo?” É com estas perguntas que se parte para uma visita nocturna ao local, classificado como monumento nacional em 2010, e à diversidade de espécies – muitas delas raras – que ali vivem. Há várias datas agendadas, a começar pela próxima segunda-feira, entre as 20h e as 21h. As sessões prosseguem nos dias 3, 17 e 31 de Maio, e 14 e 28 Junho, no mesmo horário. A entrada custa 2,50€ e requer inscrição prévia (aqui). 

Instrumentos, Amazónia e outros lugares encantados

Observar instrumentos e documentos do arquivo do etnógrafo musical Vergílio Pereira e percorrer as Galerias da Amazónia, com os seus mais de 1700 objectos evocativos dos modos de vida de 37 povos indígenas, são propostas do Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, para sábado de manhã. No domingo abrem-se as Galerias da Vida Rural e também Lugares Encantados, Espaços de Património que levam a Sintra, Fátima, Mértola e à Mouraria em busca da ligação entre património e religião. Em ambos os dias, o Museu de Arte Popular chama as famílias a visitas, jogos e peddy-pappers em torno das tradições representadas nas pinturas murais que o decoram. As actividades começam às 11h. São gratuitas, mas requerem inscrição até sexta-feira (servicoeducativo@mnetnologia.dgpc.pt; 213041160). Mais informações aqui

Subterrâneos a meter água

Prepare as galochas (virtuais), que esta visita mete muita água – Águas Livres, na verdade. É nos caminhos delas, pelos velhos túneis e galerias que vão do aqueduto à colina dos hospitais, que se desenrola este passeio online pela Lisboa Subterrânea. Está agendado para as 21h30 de sábado. Basta aceder ao link que é enviado, até às 13h do mesmo dia, a quem se inscrever aqui. Depois, é só mergulhar neste património escondido sob a calçada da cidade. 

Passeio minado de ciência

É preciso ter Pernas p’ra Andar: são doze quilómetros a caminhar pela geologia, a biologia, a paisagem e o património do Lousal, à boleia da história da mina que ali funcionou entre 1900 e 1988. A sugestão vem do Centro Ciência Viva local, mais conhecido como Mina de Ciência, que tem fortificado a memória da aldeia alentejana, no concelho de Grândola, que durante esses anos viveu da extracção de pirite. O percurso interpretativo estende-se da casa da administração à Igreja de São Roque, passando pelo ramal de embarque ferroviário do minério e por outras paragens. Começa às 9h de domingo e, embora seja gratuito, está limitado a 20 participantes, que devem inscrever-se até 16 de Abril, pelo número 269750520. 

Madeira, arquitectura e religião

A arquitectura e o património religioso do Funchal andam de mãos dadas num percurso pedonal que tem a Igreja do Colégio dos Jesuítas como casa-partida e a Sé Catedral como linha de chegada. O professor e historiador Diogo Goes conduz o périplo, que passa por estilos arquitectónicos como “o manuelino, o maneirismo e o barroco no edificado do espaço insular”. O encontro está marcado para a Praça do Município, às 17h desta sexta-feira. Não é pago mas exige inscrição prévia (isal@isal.pt).

Graciosa por um Atalho

Terminamos com mais um mergulho, desta vez na história de uma ilha açoriana marcada pela carência de água. Uma visita guiada ao Reservatório do Atalho, em Santa Cruz da Graciosa, mostra como a população respondeu a essa escassez com estruturas como esta, inaugurada há mais de 150 anos, com os seus tanques, arcos, escadarias, naves, abóbadas e gárgulas. A descida a estas salões realiza-se entre as 14h e as 17h de domingo (mais informações: geral@cm-graciosa.pt)