O Replay está a dar nova vida aos teus brinquedos usados

O destino dos brinquedos usados ou em mau estado deixou de ser o aterro. O projecto Replay, iniciativa do Precious Plastic, está a criar novos brinquedos a partir dos antigos. A campanha de recolha decorre até Maio em cinco cidades: Porto, Figueira de Castelo Rodrigo, Lisboa, Cascais e Évora.

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Precious Plastic Portugal

Recusam-se a produzir “um objecto com plástico reciclado apenas para pôr na estante”. Quem diz estante diz caixa de brinquedos, e foi por isso mesmo que o movimento Precious Plastic, em parceria com o Zero Waste Lab lançou o projecto Replay, destinado a dar uma nova vida aos brinquedos usados. “O futuro dos brinquedos que estão estragados é o aterro. Decidimos criar algo que mudasse um bocadinho essa mentalidade e uma das propostas era utilizar o plástico proveniente de brinquedos que estavam estragados e criar um novo brinquedo que permitisse não só às crianças, mas também aos adultos, poderem brincar”, começa por explica ao P3 João Feyo, membro do movimento Precious Plastic Portugal.

O primeiro passo começa em casa, com a ajuda de um martelo, de uma chave de fendas e de uma tesoura. Isto porque depois da selecção dos brinquedos chega o momento de os desmontar e contabilizar todas as peças que os compõem — um alerta para a “quantidade de material que lhes está inerente”. Porto, Figueira de Castelo Rodrigo, Lisboa, Cascais e Évora são, para já, as cidades escolhidas para esta campanha, em vigor até Maio. Cada uma terá os seus respectivos pontos de recolha.

Depois de recolhidos, chega o momento de os alunos de Design de Produto da Escola Superior de Arte e Design de Matosinhos (ESAD), do Núcleo Universitário de Ciências e Tecnologia do Ambiente da Universidade do Porto (NUTA) e da Universidade de Évora entrarem em acção. São eles que vão desenvolver várias propostas de possíveis brinquedos, mas a última decisão será sempre de quem os vai receber, neste caso das crianças do primeiro ano. “Acho que faz sentido serem as crianças a fazer a eleição de qual o brinquedo que gostariam de ter e não os professores. Nós dizemos se é possível produzir ou não, os professores têm mais o aspecto técnico, mas a criança é que vai fazer essa votação.”

Dessa votação resultam cinco projectos que serão convertidos em cinco moldes — um para cada cidade. Das máquinas Precious Plastic sairão os futuros brinquedos. Nesta iniciativa, o ponto essencial é o upcycling (reciclagem criativa), mas quem tiver brinquedos em bom estado também pode participar. Basta deixá-los nos pontos de recolha e o movimento reencaminha para as instituições Ajuda de Mãe, Aldeia de Crianças SOS e Cruz Vermelha Portuguesa.

Precious Plastic Portugal
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Os restantes materiais — borracha, tecido, compostos electrónicos e outros plásticos — que não vão ser usados no fabrico dos brinquedos “terão outro fim”. A Exturplás, empresa que faz a transformação dos bancos de jardim e parques infantis fica encarregue da reciclagem dos plásticos que não foram utilizados. O electrão recebe a parte electrónica e as pilhas. As borrachas servirão para construir as placas dos parques infantis. Os tecidos são entregues a “duas raparigas que têm um projecto de reutilização de tecidos para brinquedos que estão ligados às festas de crianças e fazem desde decorações a tudo o resto com esses restos de pano”, explica João.

Para além de alertar para a reutilização do plástico e de todos os componentes de um brinquedo, o Replay vai ainda organizar ciclos de conversas com o objectivo de “questionar a qualidade do brincar e dos materiais dos brinquedos, bem como explorar novas perspectivas de produção consumo sustentável, e de responsabilidade alargada, inspirado nos conceitos da economia circular”, pode ler-se no site.

Contudo, a grande novidade é a realização de um estudo científico destinado a “tocar na ferida das empresas” que importam brinquedos de plásticos não certificados. “Nós não conseguimos identificar o tipo de plástico. Isto está-se a tornar um bocadinho rotineiro e prejudicial”, reforça o arquitecto. “É importante fazermos esses estudos para que, no fundo, possamos recuperar essa preocupação que tínhamos até há bem pouco tempo acerca do tipo de plástico que estamos a utilizar na produção dos brinquedos e aquele que está a ser importado para cá. Isso é sempre positivo.”

Texto editado por Ana Maria Henriques