Ernesto Matos fotografa há 20 anos o chão que pisamos: “A calçada portuguesa tem que dar o salto”

Designer e fotógrafo, Ernesto Matos já publicou uma dúzia de livros à volta da calçada artística portuguesa, no país e no mundo, com “um cunho pessoal, poético”. Do geral ao mais ínfimo detalhe, entre exposições e novos trabalhos, dedica-se agora a investigar mais a fundo a história deste “mundo fantástico”. Afinal, enquanto uns vêem estrelas no céu, ele vê-as no chão.

fotografia,fugas,patrimonio,lisboa,brasil,macau,
Fotogaleria
Ernesto Matos já publicou 13 livros dedicados à calçada Daniel Rocha
fotografia,fugas,patrimonio,lisboa,brasil,macau,
Fotogaleria
Macau Ernesto Matos
fotografia,fugas,patrimonio,lisboa,brasil,macau,
Fotogaleria
Malaca Ernesto Matos
fotografia,fugas,patrimonio,lisboa,brasil,macau,
Fotogaleria
Maputo Ernesto Matos
fotografia,fugas,patrimonio,lisboa,brasil,macau,
Fotogaleria
Rio De Janeiro Ernesto Matos
fotografia,fugas,patrimonio,lisboa,brasil,macau,
Fotogaleria
Rio De Janeiro Ernesto Matos
fotografia,fugas,patrimonio,lisboa,brasil,macau,
Fotogaleria
Qatar Ernesto Matos

É um pequeno jardim, de retoques românticos, pelo qual muitos passam sem prestar grande atenção, tal é a atracção das vistas de Lisboa do miradouro ali a dois passos. Mas Ernesto Matos não se importa de desviar sempre os olhos do céu para o chão – coisa a que já está habituado, ou não tivesse no currículo uma dúzia de livros sobre a calçada artística portuguesa. É vê-lo a subir e descer a escadaria do jardim, a apontar para desenhos, símbolos, estrelas, assinaturas, a registar as camadas do tempo nos restauros. E ouvi-lo a criticar a execução das reconstruções. “Na recuperação perdem-se sempre detalhes”, queixa-se. Há de facto por ali desenhos onde, entre os antigos e os mais recentemente reconstruídos, não parece bater a bota com a perdigota, assim como partes em que o original “foi feito em basalto e na reconstrução metem calcário”. E não é só aqui. “Não se percebe”, lamenta, enquanto abarca com o olhar todo o empedrado. “Advogado” da calçada artística de Portugal, tem fotografado esta arte pelo país e pelo mundo nas últimas décadas. E agora, num intervalo entre edições, enquanto mostra o seu trabalho em exposições, designer gráfico na câmara de Lisboa, dedica-se a investigar a história da calçada no Estado Novo para um doutoramento na Faculdade de Belas-Artes.