Morte de senador por covid-19 aumenta pressão para o Senado investigar a gestão de Bolsonaro

Eleito com o apoio de Bolsonaro em 2018, o Major Olímpio tinha-se tornado um crítico do Presidente e dos seus filhos e era defensor da abertura de uma comissão parlamentar de inquérito à actuação do Governo na pandemia. É o terceiro senador que morre com a doença.

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Major Olímpio, o senador eleito pelo Rio de Janeiro, fazia este sábado 59 anos Adriano Machado/Reuters

A sua morte cerebral já tinha sido declarada na quinta-feira, com aviso de que os familiares do senador Sérgio Olímpio Gomes, mais conhecido por Major Olímpio, iriam esperar 12 horas para a confirmação do óbito, que acabou por acontecer esta sexta-feira.

Na véspera de completar 59 anos, o senador eleito por São Paulo, torna-se assim no terceiro membro do Senado brasileiro a morrer com a doença, depois de Arolde Oliveira, em Outubro, e José Maranhão, no mês passado.

Apesar de ter sido eleito com o apoio de Jair Bolsonaro em 2018, o senador do PSL havia-se tornado um crítico da actuação do Presidente e dos seus filhos e era defensor da abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) à gestão da pandemia pelo Governo.

“O último pedido do Olímpio no plenário do Senado foi esse, para que se instalasse a CPI. Quando o ministro Eduardo Pazuello esteve no Senado, o questionamento mais duro foi dele. Portanto a homenagem mais efectiva que poderíamos prestar seria investigar os responsáveis por estarmos perdendo tantas vidas”, afirmou à Folha de S.Paulo o líder da oposição e autor do requerimento para a abertura CPI, Randolfe Rodrigues.

Na referida sessão, o Major Olímpio citara o nome dos dois senadores mortos por covid para dizer que haviam sido “vítimas da irresponsabilidade, do negacionismo com que foi tratada a pandemia até então”.

A decisão de abertura ou não da CPI está agora nas mãos do recentemente eleito presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pois o requerimento para a abertura da comissão já conta com as assinaturas suficientes.

“A ausência de atitudes mais firmes, como a instalação da CPI, faz de todos cúmplices de genocídio. Em nenhum outro lugar houve um Presidente tão responsável pelo que acontece. Esse senhor tem que ser apeado do poder por uma questão humanitária”, acrescentou Randolfe Rodrigues.

Eduardo Gomes, o líder da bancada do Governo no Congresso, disse, no entanto, que Bolsonaro não tem culpa na morte do Major Olímpio e que não havia “espaço para interpretação política” na sua morte.

“O Major Olímpio não morreu por causa do Governo federal”, disse, citado pela Folha. “Os franceses estão indignados com o Governo da França, os alemães com o da Alemanha. Estamos em uma pandemia. Temos que enfrentar juntos o problema.”

“O Senado não está precisando de reacção política. Ele está precisando dar sustentação para a solução da crise de saúde, que vem através de recursos, que o Governo federal despendeu muito para muitos estados e municípios”, acrescentou.