Guilherme Blanc vai dirigir o novo Batalha

O ex-responsável na Câmara do Porto pelo Departamento de Arte Contemporânea e de Cinema já está a dirigir a equipa que prepara o regresso à actividade desta sala histórica, com abertura prevista para 2022.

Obras no Cinema Batalha deverão terminar até final do ano
Fotogaleria
Obras no Cinema Batalha deverão terminar até final do ano Paulo Pimenta
politica-cultural,arte-contemporanea,cinema,culturaipsilon,arquitectura,porto,
Fotogaleria
Guilherme Blanc DR
politica-cultural,arte-contemporanea,cinema,culturaipsilon,arquitectura,porto,
Fotogaleria
Cinema Batalha foi inaugurado em 1947 Nelson Garrido
politica-cultural,arte-contemporanea,cinema,culturaipsilon,arquitectura,porto,
Fotogaleria
Maqueta do projecto de renovação, dos arquitectos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez DR

O Batalha vai ser um Centro de Cinema, e Guilherme Blanc, investigador, professor e programador ex-responsável na Câmara do Porto pelo Departamento de Arte Contemporânea e de Cinema, foi nomeado como director artístico da nova estrutura, que deverá entrar em actividade no início de 2022.

O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, a abrir a reunião do executivo autárquico. “Para o Batalha, idealizou-se um projecto que pudesse estabelecer uma relação expandida e crítica com o cinema, com os seus mais diversos públicos e agentes — da criação à programação —, permitindo que a cidade pudesse ver nascer uma instituição aberta, participada, estimulante e também divertida”, disse o autarca, ao dar também conhecimento da escolha de Guilherme Blanc, que foi seu adjunto para a área da Cultura antes de passar para aquele departamento da empresa Ágora.

O Batalha Centro de Cinema, nome escolhido para designar o novo projecto, tem já uma equipa nuclear formada, que se encontra a preparar o regresso à agenda cultural da cidade do edifício modernista projectado pelo arquitecto Artur Andrade (1913-2005) e inaugurado em 1947 — em 2012 foi classificado Monumento de Interesse Público. Actualmente decorre a fase final das obras de restauro e modernização do cinema que a Câmara do Porto alugou há cerca de três anos à família Neves Real, por um período de 25 anos, tendo o projecto de arquitectura sido entregue ao Atelier 15, dos arquitectos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez. O custo estimado da obra é de quatro milhões de euros.

“Propomos, para o Batalha, uma revisitação actual, uma reinterpretação contemporânea da sua vocação original de centro cultural para o cinema, criando uma organização singular no nosso contexto, e também no contexto internacional”, explicou Guilherme Blanc ao executivo autárquico na sua primeira intervenção pública como director artístico do Batalha Centro de Cinema.

O também programador, investigador e professor na Universidade Católica apresentou “o ‘novo’ Batalha” como “um centro de conhecimento e de fruição cultural através das múltiplas formas de fazer e pensar o cinema e a imagem em movimento”.

Atenção à história e ao cinema actual

Como principais eixos da sua missão, o director artístico do Batalha Centro Cinema — cuja equipa se encontra a trabalhar no projecto desde o início deste ano — identificou a atenção à história do cinema, mas também à produção contemporânea, através da realização de sessões em formatos analógicos e digitais; a organização de debates; a exibição de obras que não tenham acesso ao circuito comercial ou aos festivais; a abertura a parcerias com os restantes programadores e festivais da cidade do Porto; o apoio à investigação nas áreas da história e da crítica cinematográfica, “dando particular atenção ao cinema realizado e produzido no Porto”; e a promoção do cruzamento disciplinar entre o cinema e as outras artes.

Para este programa, Guilherme Blanc tem a trabalhar consigo a curadora Ana David (programadora no IndieLisboa e no Festival de Cinema de Berlim, tendo também já colaborado com o Queer Lisboa e com o Festival de Berwick, no Reino Unido); Salette Ramalho, para a gestão executiva (foi coordenadora da Agência da Curta-Metragem e programadora do Curtas Vila do Conde); Joana Marques, para coordenar a relação do cinema com a comunidade (foi dirigente do Cineclube do Porto); e o jornalista, crítico e programador Rodrigo Affreixo, que irá cuidar da biblioteca e da mediateca.

Com esta equipa — que será proximamente reforçada com o recrutamento de novos elementos para as áreas da programação, produção, comunicação e técnica —, o director artístico do Batalha Centro de Cinema irá preparar e desenvolver ciclos e monografias dedicados a nomes e movimentos fundamentais da história do cinema, mas também do cinema contemporâneo; levar esta arte à comunidade (“Este será um lado matricial do projecto”, enfatizou Guilherme Blanc); celebrar e evocar temas ligados à história e à política e naturalmente também a outras áreas da cultura, da literatura à música e à performance.

Para acolher, e viabilizar as várias alíneas deste programa, o projecto de arquitectura de Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez dotou o Batalha com duas plateias: a Sala Grande, com 341 lugares; e a Sala Estúdio, com 126 lugares.

Novidades serão a criação de uma Galeria, com uma área expositiva de 65 metros quadrados, espaço destinado a projectos de artes visuais ligados à imagem em movimento; e também uma Biblioteca e Mediateca, de acesso livre, destinadas a criar um arquivo bibliográfico e digital especialmente centrado na produção cinematográfica da cidade do Porto.

No lugar da antiga Sala Bebé, montada nos anos 70, vai ser recuperado o salão de chá do edifício original, que, além de bar, servirá igualmente como sala de exibição e de iniciativas paralelas.

O novo Batalha Centro de Cinema será “uma instituição vocacionada para pensar a cultura a partir do cinema”, sintetizou Rui Moreira na apresentação do projecto: “Uma instituição que seja também singular, feita para o Porto de hoje, e para a forma como o cinema e a imagem em movimento se relacionam com o pensamento e a arte”.

Notícia corrigida: o Festival de Berwick realiza-se no Reino Unido e não nos Países Baixos.