A Quinta das Águias vai trocar sementes que são autênticas “jóias”

A sétima edição da Feira Anual de Troca de Sementes, nos dias 6 e 7 de Março, vai acontecer numa versão online.

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Vai mesmo acontecer a sétima edição da Feira Anual de Troca de Sementes — pela primeira vez numa versão online. O encontro é promovido pela Associação Quinta das Águias em parceria com o Município de Paredes de Coura, o Agrupamento de Escolas e Rita Roquette, herbalista e autora do blogue Bloom Sativum, e realiza-se nos dias 6 e 7 de Março, procurando preservar variedades mais antigas de sementes e partilhar esta “fonte tão preciosa de vida”.

Na Quinta das Águias, onde vivem Ivone Ingen Housz, o companheiro Joep e sempre para cima de cem animais, a protecção das sementes é uma prática tão intrínseca como a defesa do ambiente e dos animais, da sustentabilidade e da gastronomia vegetariana. “É muito pertinente para as nossas culturas autóctones”, aponta à Fugas Ivone, que há muito vai organizando as gavetinhas do banco de sementes da quinta biológica de Rubiães, Paredes de Coura.

O casal instalou-se neste terreno em 2005 e em 2014 apresentou a primeira edição da Troca de Sementes, um evento que “tem vindo a crescer” e que não podia parar por causa da pandemia. “Assim fica aberto a toda as pessoas interessadas”, salienta Ivone, constantemente envolvida em trocas. “Ainda ontem recebi uns lindos Lima beans [feijões descobertos no Peru]!”, exclama esta coleccionadora, com mais de 120 variedades só de feijão, muitos deles da região. “Vais ao supermercado e encontras seis variedades de feijão. A natureza dá-te um sem número de variedades. Para isso basta que não a estragues. As sementes são jóias!”.

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Ivone Ingen Housz Paulo Pimenta

Quem por aqui passar no fim-de-semana poderá encontrar feijões-de-sete-anos que “estavam a cair em desuso” ("feijão perene de rama alta e vigorosa, boa para fazer sombra"), feijão canário, feijoca “bonita”, feijão vermelho ("muito comum cá"), feijão-frade “antigo”, sementes de linhaça ("porque o linho já foi muito importante por aqui"), algumas variedades de tremoço ("temos um conflito: eu sou pró-feijão, o Joep é pró-tremoço") e milho-miúdo da região de Coura, cujo brasão é feito por três espigas.

“Valorizo muito as sementes autóctones. Mas também deixo abertura para as sementes que há pelo mundo e que se dão lindamente por aqui”, acrescenta Ivone, lembrando a itinerância das sementes ao longo da história e a sua importância perante as alterações climáticas. “Semeamos. Se não der, elas voltam à terra e alimentam o solo. E dão origem a flores de que as abelhas gostam imenso.” As sementes, junta Ivone, são “saudáveis, boas e fáceis de produzir. É só vantagens.”

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Dado o confinamento, esta edição online fica a perder as acções de sensibilização que tradicionalmente antecedem a feira, em que centenas de sementes vão até às escolas da região. “Os alunos podem provar, cheirar e tocar. E vão junto das famílias pedir sementes antigas. Falamos muito da importância das sementes antigas. São as que estão habituadas ao nosso clima e as mais resistentes.”

O programa desta edição virtual inclui alguns directos (Luísa Ferreira, do projecto Sardinha Fora da Lata, Luísa Mafei, da Cozinha Afetiva), e um passeio de identificação de ervas silvestres orientado por Rita Roquette, entre outros.

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A Feira de Troca de Sementes irá realizar-se no Facebook. Aos interessados pede-se que enviem um e-mail até ao dia 4 de Março, indicando as sementes disponíveis para troca, juntamente com a ficha das mesmas (nome, proveniência, data e fotografia nítida). Deverão indicar também o perfil de Facebook (ou outro contacto), para que a troca seja combinada desta forma. Nos dias 6 e 7 de Março, os organizadores publicarão na página do evento um álbum de fotos por participante, com as respectivas informações e tags para contacto. Os participantes farão directamente as trocas e envios entre si. Apenas serão aceites trocas e não vendas de sementes — só serão aceites sementes em modo de produção biológico.