Plano Biden de apoio à economia dá novo passo em frente no Congresso

Democratas garantem aprovação do plano de investimento e despesa pública de 1,9 biliões de dólares na Câmara dos Representantes, passando agora a palavra para o Senado

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Nanci Pelosi, líder da Câmara dos Representantes LUSA/MICHAEL REYNOLDS

O pacote de estímulos de 1,9 biliões de dólares com que Joe Biden pretende apoiar a economia norte-americana ficou, na madrugada deste sábado, mais perto de ser passado à prática, depois do voto favorável da Câmara dos Representantes. O próximo passo é agora a aprovação do Senado, onde uma das medidas mais importantes do plano, o aumento do salário mínimo, se arrisca a ser posta de lado.

O plano apoiado pela administração Biden – que inclui entre várias outras medidas, a entrega de cheques de 1400 dólares (cerca de 1160 euros ao câmbio actual) a parte da população, o reforço extraordinário do valor do subsídio de desemprego e o aumento do salário mínimo de 7,25 dólares para 15 dólares (cerca de 12,5 euros) à hora – foi aprovado pela Câmara dos Representantes com 219 votos a favor e 212 contra. Os membros desta câmara do congresso dividiram-se quase totalmente de acordo com a sua filiação partidária (os Democrata têm uma maioria de 221 para 211).

O plano segue agora para o Senado para a aprovação definitiva do Congresso e, do lado democrata, o objectivo é o plano poder ser assinado pelo presidente já em meados de Março, o momento em que se esgotam algumas das medidas de apoio introduzidas com anteriores planos aprovados pela administração Trump.

Mas para que isso aconteça, precisam de invocar um tratamento especial desta legislação que permita que a aprovação possa ser feita, não com uma maioria de 60%, mas com uma maioria simples. Neste caso, os democratas poderão à tangente, e com o voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris, garantir a passagem do diploma.

No entanto, uma medida em particular pode colocar alguns obstáculos. O aumento do valor do salário mínimo (que seria o primeiro desde 2009) não só levanta dúvidas a dois senadores democratas, como pode, de acordo com os especialistas, não ter as características necessárias para beneficiar do tratamento especial que exige apenas uma aprovação por maioria simples.

Se tal acontecer, os democratas podem ver-se forçados a retirar a medida – uma das mais importantes para a ala progressista do partido – para não colocar em causa a aprovação do resto das medidas do plano. Outra hipótese a ser discutida neste momento é reduzir a ambição do aumento proposto, para um valor entre 10 e 12 dólares à hora.

Joe Biden e a sua secretária do Tesouro, Janet Yellen, têm defendido que um plano de grande dimensão é fundamental, não só para ajudar a economia norte-americana a recuperar depois de uma das maiores recessões das últimas décadas, como também para apoiar o esforço de combate à pandemia através de um processo acelerado de vacinação.