Reino Unido: esconder viagens para destinos como Portugal pode dar dez anos de prisão

Governo britânico impôs novas medidas para conter a entrada das novas variantes do vírus no Reino Unido, controlando a entrada de passageiros vindos de países considerados de risco numa “lista vermelha” onde se inclui Portugal.

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Rui gaudêncio

Os residentes que regressem ao Reino Unido e tentem atropelar a medida do Governo britânico de quarentena obrigatória poderão ser multados e arriscam-se ainda a uma pena de prisão até dez anos. Quem chegar de Portugal e de 32 outros destinos inscritos na “lista vermelha” do país vai pagar até dois mil euros para fazer uma quarentena obrigatória mínima de dez dias em hotéis designados pelo Governo.

A violação das normas agora impostas poderá incorrer numa multa de entre 1000 e 10.000 libras (1140 e 11.400 euros) e os residentes britânicos ou pessoas que estejam legais no Reino Unido e omitam nos formulários de passageiros terem estado num dos cerca de 33 países de risco nos dez dias anteriores estão sujeitos a pena de prisão até dez anos, explicou o ministro da Saúde do país.

Especialmente preocupado com a importação de variantes mais resistentes à vacina contra a covid-19, Matt Hancock anunciou esta terça-feira medidas mais musculadas de combate à pandemia, que vão entrar em vigor a partir da próxima segunda-feira. “Não peço desculpa pela robustez destas medidas porque estamos a lidar com uma das maiores ameaças à saúde pública que enfrentámos como país”, disse no parlamento. 

"Hotéis quarentena” começam a funcionar na segunda-feira 

O pacote dos chamados “hotéis quarentena”, que entram em funcionamento na próxima segunda-feira, inclui um quarto de hotel individual, transporte directo do aeroporto ou porto marítimo e dois testes ao novo coronavírus, no segundo e no oitavo dias da quarentena – que poderá ser prolongada se o passageiro apresentar um dos resultados positivo. 

A “lista vermelha” inclui, além de Portugal, países como o Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Angola, e dezenas de países africanos e sul-americanos devido ao risco de transmissão das variantes detectadas no Brasil (B1128) e na África do Sul (B1351), uma vez que os cientistas receiam que as vacinas contra a covid-19 sejam menos eficazes naquelas variantes.

Serão, assim, afectados os viajantes que cheguem dos países já referidos, dos quais os voos directos foram suspensos em meados de Janeiro e as visitas interditas, sendo apenas permitida a entrada de nacionais britânicos e estrangeiros residentes. As novas medidas vêem juntar-se à actual exigência de que todos os que cheguem do estrangeiro à Inglaterra terem também de apresentar um teste com resultado negativo realizado 72 horas antes do embarque. 

Para garantir que as normas são cumpridas, Hancock avançou ainda estar em contacto com os governos autónomos das outras regiões – Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte –, bem como com a Irlanda, país com o qual tem uma área de circulação livre, para se coordenarem e adoptarem medidas semelhantes. 

De acordo com os últimos dados divulgados pelo governo britânico, o país registou até ao momento mais de 112 mil mortes, o maior número na Europa e o quinto maior a nível mundial, atrás dos Estados Unidos, Índia, Brasil e México.