Emprego aumentou no final de 2020, mas sem chegar aos níveis pré-crise

Acompanhando a tendência de retoma na economia, o número de empregos em Portugal voltou a subir no quarto trimestre. O resultado, contudo, ainda fica 1% abaixo do registado há um ano e as expectativas para o início de 2021 são negativas.

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Rui Gaudencio

O mercado de trabalho em Portugal deu, no quarto trimestre do ano passado, novos sinais de recuperação depois da quebra registada no início da pandemia, mas o nível do emprego manteve-se abaixo do registado antes da crise, havendo ainda indícios de que uma recaída possa estar já a acontecer no início deste ano.

De acordo com as estatísticas trimestrais do emprego publicadas esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, registou-se um aumento de 1,2% do número de pessoas empregadas durante o quarto trimestre de 2020, face ao trimestre imediatamente anterior. É uma subida de 59,6 mil pessoas na população empregada que se segue ao aumento de dimensão semelhante do terceiro trimestre do ano.

Não chega, no entanto, ainda para compensar as perdas de emprego registadas durante a primeira metade de 2020, quando a pandemia conduziu a uma travagem muito acentuada da economia. No quarto trimestre, o número de empregos em Portugal foi, segundo o INE, ainda 1% inferior (48,1 mil pessoas empregadas) ao registado em igual período do ano anterior.

Esta tendência de retoma no número de empregos, contudo, pode vir a sofrer uma interrupção já no arranque deste ano. A nova vaga da pandemia e as medidas de confinamento tomadas para a travar estão já a ter um impacto na actividade económica. E os resultados do inquérito ao emprego mensal divulgados pelo INE no final de Janeiro revelam que esse efeito negativo está a ter reflexos no mercado de trabalho. No trimestre centrado no mês de Dezembro (portanto já incluindo aquilo que aconteceu em Janeiro), registou-se uma descida do número de empregados de cerca de 10 mil pessoas.

Em relação à taxa de desemprego – cujo valor é afectado pela diminuição da capacidade de as pessoas procurarem activamente emprego em períodos de confinamento – o INE revela que diminuiu de 7,8% no terceiro trimestre de 2020 para 7,1% no último trimestre do ano, um valor que ainda assim fica 0,4 ponto percentuais acima do registado em igual período de 2019.

Já a taxa de subutilização de trabalho – um conceito mais alargado de desemprego que inclui, por exemplo, os inactivos disponíveis para trabalhar, mas que não procuraram emprego – diminuiu de 14,9% para 13,8% do terceiro para o quarto trimestre, ficando 1,3 pontos percentuais acima do valor homólogo do ano anterior.

Nos dados referentes ao total de 2020, confirma-se o efeito negativo que a actual crise teve no mercado de trabalho. A taxa de desemprego anual foi de 6,8%, um aumento de 0,3 pontos percentuais relativamente a 2019 e a população empregada diminuiu 2% (quase cem mil pessoas) face ao ano anterior.

Esta quebra de 2% no emprego em 2020 contrasta com uma queda bastante mais acentuada da actividade económica no mesmo período (o PIB diminuiu 7,6% de acordo com os dados preliminares do INE). Esta diferença é explicada em larga medida pelas medidas de apoio à economia assumidas pelo Estado, nomeadamente o layoff simplificado que permitiu que um número significativo de pessoas tivesse mantido o seu emprego, apesar de não ter estado efectivamente a trabalhar. Os trabalhadores em layoff são incluídos pelo INE dentro da população empregada.