China trava missão da OMS para estudar origem do coronavírus

“Estou muito desapontado”, disse o director-geral da Organização Mundial da Saúde sobre os seus contactos com Pequim.

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Exposição em Wuhan, "Povo primeiro, vidas primeiro", sobre a resposta do Estado chinês à pandemia LUSA/ROMAN PILIPEY

A China ainda não deu todas as autorizações necessárias para o trabalho dos cientistas que integram a missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) que devia ter começado já nesta terça-feira a investigar a origem do novo coronavírus. “Estive em contacto com responsáveis de topo chineses e mais uma vez tornei claro que esta missão é uma prioridade para a OMS. Estou muito desapontado”, afirmou o director-geral desta agência das Nações Unidas,  Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa online.

Dois dos cientistas desta missão de dez pessoas, que viajaram antecipadamente, por serem de países mais longínquos, foram travados a meio da viagem - um teve de voltar para trás, e outro está à aguardar que a situação se desbloqueie num país terceiro, explicou Mike Ryan, chefe do departamento de emergências da OMS.

O novo coronavírus foi detectado pela primeira vez há cerca de um ano em Wuhan, na China - embora também haja suspeitas de que poderá não ter sido ali que pela primeira vez contaminou seres humanos. Mas até agora não se conhece a origem do vírus que perturbou tão seriamente o mundo.

Num ambiente geopolítico altamente polarizado - o Presidente norte-americano, Donald Trump, insistia em chamar ao novo coronavírus o “vírus chinês” -, enquanto Pequim tem promovido uma agressiva diplomacia para salientar a sua eficácia na contenção do vírus, encerrando a região em torno de Wuhan, na província de Hubei. A China tem promovido a ideia de que a pandemia surgiu em múltiplas regiões e não apenas em Wuhan.

A China já recebeu em Julho do ano passado uma missão científica para estudar a origem do novo coronavírus, liderada, tal como esta, por Peter Ben Embarek, um especialista em doenças animais que cruzam a barreira das espécies e afectam os seres humanos, diz a Reuters.