Covid-19: Wuhan foi reaberta depois de 76 dias de isolamento, e 65 mil pessoas deixaram a cidade

Os 11 milhões de habitantes da cidade chinesa já podem sair de comboio, avião e carro, desde que não estejam infectados ou não tenham estado em contacto com quem está. Mais de 65 mil pessoas saíram de Wuhan nas primeiras horas depois do levantamento das restrições.

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Uma médica do The First Bethune Hospital of Jilin University no aeroporto antes de regressar a casa EPA
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Um residente paga as suas compras colocando-se em cima de um tronco de árvore para chegar ao topo da barreira Aly Song / Reuters
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Residentes pagam as compras em cima de cadeiras para chegar ao topo das barreiras de protecção Aly Song / Reuters
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Residentes pagam as compras em cima de cadeiras para chegar ao topo das barreiras de protecção Aly Song / Reuters
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Trabalhadores reparam as barreiras construídas para bloquear os edifícios Aly Song / Reuters
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Residentes de uma área bloqueada em Wuhan fazem fila para pagar o pequeno almoço, "regan noodle", um prato típico Aly Song / Reuters
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A máscara é uma peça fundamental nas idas às compras num mercado de rua em Wuhan Aly Song / Reuters
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Aparentemente qualquer coisa serve para barrar caminho Aly Song / Reuters
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Aly Song / Reuters
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O exercício físico é uma prática habitual, apesar do bloqueio, aqui em Hubei Aly Song / Reuters
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Voluntários da Blue Sky Rescue Team desinfectam o Qintai Grand Theatre em Wuhan Aly Song / Reuters
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Voluntários da Blue Sky Rescue Team desinfectam o Qintai Grand Theatre em Wuhan Aly Song / Reuters
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Voluntários da Blue Sky Rescue Team desinfectam o Qintai Grand Theatre em Wuhan Aly Song / Reuters
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Voluntários da Blue Sky Rescue Team desinfectam o Qintai Grand Theatre em Wuhan Aly Song / Reuters
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Voluntários da Blue Sky Rescue Team desinfectam o Qintai Grand Theatre em Wuhan Aly Song / Reuters
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Os telemóveis no centro das atenções durante o luto nacional decretado pela China. Imagem captada junto ao rio Yangtze Aly Song / Reuters
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Condutores voluntários buzinam durante um momento de homenagem. A china decretou luto nacional por todas as vitimas do novo coronavírus China Daily CDIC / Reuters
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Um homem chora em Wuhan, durante o luto nacional decretado pela china Aly Song / Reuters
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Um trabalhador a usar um fato de protecção recolhe, com um cotonete, uma amostra para análise de um empregado de construção civil, Wuhan China Daily CDIC / Reuters
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Empregados a trabalhar numa linha de montagem de fabricação de monitores na fábrica TPV em Wuhan China Daily CDIC / Reuters
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Wuhan, China Aly Song / Reuters
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A bandeira nacional chinesa a meia haste na cerimonia de luto nacional pelas vitimas do novo coronavirus China Daily CDIC / Reuters
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Uma mulher dança junto ao Lago Este em Wuhan Aly Song / Reuters
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Um homem a usar uma máscara caminha junto às barreiras Aly Song / Reuters
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Viajantes dentro da estação de comboios Hankou, após terem sido levantadas as restrições de viajar Reuters
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Passageiros a usar máscaras a bordo de um barco no rio Yangtze, após terem sido levantadas as restrições Reuters
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Um passageiro mostra o código do seu estado de saúde ao segurança junto à entrada da estação de comboios Roman Pilipey / Epa
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Trabalhadores de uma linha de produção de uma fábrica da Honda Aly Song / Reuters
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No exterior do Wuhan Tianhe International Airport Reuters
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Passageiros no Aeroporto Aly Song / Reuters
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Um trabalhador a desinfectar o aeroporto Aly Song / Reuters
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Tianhe International Airport Aly Song / Reuters
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A equipa médica do The First Bethune Hospital of Jilin University despede-se dos seus colegas de Wuhan no aeroporto antes de regressar a casa Reuters
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Um piloto acena da janela do cockpit momentos antes do voo da China Eastern Airlines, o primeiro voo doméstico a partir de Wuhan após o final das restrições China Daily / Reuters
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Pessoas à espera do comboio na estação de Hankou em Wuhan Aly Song / Reuters
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Membros das forças de segurança vigiam a estação de comboios Aly Song / Reuters
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Reuters Um polícia borrifa um viajante com spray desinfectante no exterior da estação de comboios de Hankou
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A medição da temperatura é feita no exterior da estação ferroviária de Hankou, capital da província de Hubei Reuters
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Trabalhadores do comboio de alta velocidade Aly Song / Reuters
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Passageiros num comboio de alta velocidade Reuters

Isolada há mais de dois meses, Wuhan, na província chinesa de Hubei, deu nesta quarta-feira mais um passo no regresso à possível normalidade. As autoridades levantaram as restrições à circulação dos seus habitantes abrindo auto-estradas, pontes e túneis, e permitiram a circulação de comboios, autocarros e voos domésticos. 

Quem quiser sair da cidade de comboio ou avião é obrigado a mostrar na porta de embarque um código de barras (QR) das aplicações WeChat ou Alipay, para provar não estar infectado e que não esteve com pessoas infectadas, e a medir a temperatura – medida que as autoridades de saúde de vários países têm dúvidas sobre a sua eficácia, por a febre poder ser indicativa de outro problema de saúde e não necessariamente de se estar infectado. 

As restrições são mais duras para quem quiser viajar para Pequim. Neste caso, os cidadãos têm de se submeter a um teste ao coronavírus e apenas são autorizados a seguir viagem se der negativo, diz o Beijing Daily

Mais de 65 mil habitantes abandonaram a cidade de comboio ou avião nas primeiras horas depois do levantamento das restrições, de acordo com a Associated Press. As auto-estradas e pontes também foram abertas, facilitando ainda mais a saída da cidade. 

“Estou muito feliz, estou a ir para casa”, disse à Reuters a trabalhadora migrante Liu Xiaomin ao entrar na estação de comboios de Wuhan para regressar à cidade de Xiangyang. “Estávamos tão aborrecidos em casa, mas compreendemos finalmente e vamos cooperar”, disse ao South China Morning Post Zhang Jinyu, de 58 anos, sublinhando que apenas quer que o “surto passe para se poder circular livremente”. 

Os 11 milhões de habitantes da cidade onde o primeiro caso de coronavírus foi detectado, em Dezembro, viveram isolados do resto da China por 76 dias, a partir de 23 de Janeiro. As autoridades perceberam que o vírus era altamente contagioso e que eram necessárias medidas drásticas para se evitar a propagação ao resto do país – houve 81.600 casos e 3322 mortes só na província de Hubei, havendo dúvidas sobre se são o número total

O levantamento das restrições à circulação marca o “recomeço completo” das actividades económicas e sociais na China, disse Luo Ping, responsável de controlo epidemiológico de Wuhan. “Depois de o trabalho e a produção recomeçarem, o movimento de pessoas e risco de contágio em ajuntamentos em massa vão aumentar. Alguns residentes baixaram a guarda e não estão a usar máscara quando vão para a rua”, disse o responsável ao canal chinês CCTV, citado pela CNN, salientando que “a reabertura de Wuhan não significa que esteja tudo bem, nem que as medidas de prevenção e controlo da epidemia devam ser relaxadas”. 

Algumas das medidas mais duras foram gradualmente levantadas nas últimas semanas, mas a saída de Wuhan continuou proibida até esta quarta-feira. As pessoas já podiam circular pela cidade e regressar ao trabalho, mas apenas sob fortes medidas de seguranças, e aquelas que, segundo as aplicações, não estejam infectadas ou não tenham estado em contacto com infectados. A China foi pioneira no uso de aplicações de telemóvel para rastrear a propagação do vírus, sendo seguida por muitos outros países, como Israel.

A reabertura da cidade acontece num momento em que as autoridades chinesas estão preocupadas com a possibilidade de um segundo surto em Wuhan ou noutras partes do país. Uma vez controlado o surto inicial, a maioria dos casos detectados nas últimas semanas foram importados de outros países, obrigando Pequim a suspender a entrada a estrangeiros, e nos últimos oito dias quase um terço dos casos (601 em 885, 68%) é de pessoas assintomáticas, de acordo com a Comissão Nacional de Saúde. E do total das assintomáticas, 279 foram identificadas em Hubei, depois de não ter relatado, por mais de uma semana, qualquer caso, suscitando dúvidas

Apesar de o número de assintomáticos ser elevado, Leo Poon Lit-man, director do laboratório de saúde pública da Universidade de Hong Kong, salienta que a amostra ainda é pequena, não se podendo retirar, por enquanto, grandes conclusões. “Não sabemos o que estes números significam sem ter as mesmas informações [de paciente assintomáticos] para os últimos três meses”, disse ao South China Morning Post. “Mas o que sabemos é que estes pacientes podem estar pré-sintomáticos ou infectar [outras pessoas] apesar de não terem sintomas.” 

Os pacientes assintomáticos são os mais difíceis de identificar e, de acordo com a revista científica Science, os casos não detectados foram “em grande parte” responsáveis pela disseminação da covid-19 na província de Hubei. 

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