Israel vai controlar telemóveis para combater o coronavírus

Para o Governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a invasão de privacidade justifica-se na luta contra a epidemia. “É um precedente perigoso e um terreno pantanoso”, diz associação de direitos civis.

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Benjamim Netanyahu Yonatan Sindel/EPA

Israel vai passar a monitorizar os telemóveis dos seus cidadãos como medida para combater a disseminação do coronavírus. O cibercontrolo é justificado pelo Governo de Benjamin Netanyahu por razões de saúde pública, que se sobrepõem às preocupações de invasão de privacidade.

“A ameaça que estamos a enfrentar tem mais peso do que as preocupações dos que se incomodam com a monitorização cibernética”, afirmou o ministro da Justiça, Amir Ohana, em declarações à Radio Israel, citadas pela Reuters.

Para a Association for Civil Rights in Israel, o passo dado pelo executivo de Netanyahu “é um precedente perigoso e um terreno pantanoso”.

A medida vai permitir às autoridades seguir os movimentos das pessoas infectadas com o coronavírus e localizar e alertar aqueles que estiveram próximos.

Normalmente, este tipo de monitorização necessitaria de aprovação do Knesset, o Parlamento israelita, mas o primeiro-ministro contornou essa necessidade através da aprovação unânime pelo Conselho de Ministros para a incluir nos regulamentos de emergência.

Apesar de o Governo garantir que a informação recolhida pelo Shin Bet, os serviços secretos internos, estará exclusivamente limitada à contenção da epidemia e será apagada assim que a emergência passar, a medida, anunciada por Netanyahu no fim-de-semana, mereceu críticas das organizações de defesa dos direitos civis.

Gabi Ashkenazi, dirigente do Partido Azul e Branco, cujo líder, Benny Gantz, foi incumbido na segunda-feira pelo Presidente, Reuven Rivlin, de formar novo Governo, criticou a medida de emergência aprovada por Netanyahu. “É inadequado aprovar desta maneira uma medida assim, sem supervisão pública nem parlamentar”, escreveu no Twitter.

Há mais de 300 casos confirmados de covid-19 em Israel, enquanto nos territórios ocupados se registam 41 casos na Cisjordânia e nenhum na Faixa de Gaza.