Quem o viu e quem ainda o vê?

Eis como fomos felizes no Inverno passado. Como entrámos para um bosque de libertinagem mesmo antes de o mundo se fechar. Como consumimos até à náusea digital no Verão. E como depois nos ofereceram a utopia neste Inverno. De Roman Polanski a Steve McQueen passando por Albert Serra e Carlos Reygadas: eis 2020 na vida de um espectador de cinema. E ele existe?

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Eis como fomos felizes no Inverno passado. E era apenas Janeiro. O empolgamento foi culpa de uma “criança velha”. Foi causado pela mundivisão de um bufão e de um trágico de 87 anos. 2020 mal começava e já tínhamos J’Accuse — O Oficial e o Espião, filme sobre o “caso Dreyfus” que Roman Polanski tornou thriller e também cinema de aventuras; retrato de uma sociedade prestes a imolar-se na I Guerra e simultaneamente comédia conjugal sobre os misteriosos (des)acordos entre o par (como na screwball comedy clássica, Lubitsch, Hawks, Cukor...). J’Accuse é muito mais isso do que “filme de reconstituição histórica”...

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