Atraso na inspecção às torres de refrigeração permitiu às empresas apagarem o rasto da legionella

Jornal de Notícias avança que entre o diagnóstico do primeiro caso de legionella e a deslocação das entidades de saúde às empresas e centros comerciais dos concelhos afectados passou uma semana e meia, tempo que permitiu a muitas empresas da área limparem as suas torres de refrigeração.

Foto
Bactéria legionella, doença dos legionários Pascal Rossignol/Reuters

O tempo que as autoridades de saúde demoraram a actuar permitiu que muitas empresas procedessem à limpeza das suas torres de refrigeração antes da inspecção e, consequentemente, o rasto da legionella fosse apagado, o que impediu chegar à origem do surto que provocou pelo menos 88 casos e dez mortes no distrito do Porto, avança o Jornal de Notícias (JN) na edição deste sábado.

As autarquias de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim pediram já uma reunião com a Delegação de Saúde. Porém, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte garante ao JN que a intervenção “foi atempada e ajustada”. A ARS refere ainda que foi necessário proceder a uma investigação epidemiológica e ambiental à análise e georreferenciação dos dados e à recolha e avaliação de dados sobre os ventos para identificar “os locais considerados como potenciais fontes de infecção” e que as primeiras colheitas foram feitas a 5 de Novembro.

Segundo o JN, as referidas colheitas foram efectuadas nos hospitais de Matosinhos e da Póvoa de Varzim e entre o diagnóstico do primeiro caso de legionella, a 29 de Outubro, e a deslocação das entidades de saúde às empresas e centros comerciais dos concelhos, a partir de 9 de Novembro, passou-se uma semana e meia — período de tempo que permitiu a muitas empresas da área procederem à limpeza das suas torres de refrigeração.

Uma fonte ligada ao processo revela ainda ao JN que “em muitas empresas, quando foram feitas as colheitas, havia um cheiro muito intenso a cloro, sinal de que as torres foram limpas”.

Embora a bactéria tenha sido detectada nas torres da Longa Vida, a presidente da câmara de Vila do Conde afirma, em Assembleia Municipal, que “não há certezas absolutas que o foco tenha estado naquela empresa”. Elisa Ferraz lembra que a investigação do Ministério Público está em curso. Porém, não havendo certezas de que a estirpe detectada nas torres é a mesma que foi diagnosticada nos pacientes, não é possível comprovar uma ligação.

O JN refere ainda que o último comunicado emitido pela ARS Norte data de 29 de Novembro e refere que, desde que as torres da Longa Vida foram encerradas, os casos de legionella diminuíram e, 14 dias depois (o período de incubação), deixaram de aparecer. Porém, passados 20 dias desde essa data, continua ainda por confirmar se as estirpes da bactéria são as mesmas.