Com uma “tristeza imensa”, Catarina Portas fecha A Vida Portuguesa no Porto

A crise provocada pela pandemia leva a empresária a dizer “Adeus Porto”: a loja fecha no final do ano. É a segunda A Vida Portuguesa com encerramento confirmado em menos de dois meses.

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A primeira loja nasceu no Chiado daniel rocha
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Há 11 anos que mantinha a loja no Porto DR
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Há dois anos na rua Cândido dos Reis DR

O aniversário ainda foi celebrado: a 20 de Novembro fez 11 anos que A Vida Portuguesa chegou ao Porto. Mas a loja não resistiu ao “ano terrível de 2020”. Dois anos depois de a marca ter mudado de espaço, agora na rua Cândido dos Reis, a pandemia veio ditar o encerramento definitivo no final do ano. “A tristeza é imensa”, lamenta Catarina Portas numa publicação no Facebook. “Adeus Porto!”

O anúncio, feito nas redes sociais, surge pouco mais de um mês depois do encerramento de outro espaço do grupo: a “mais nova das lojas de Lisboa”, inaugurada em 2016 na Rua Ivens e especialmente dedicada “a produtos para a casa”, fechou a 7 de Novembro.

“Foi uma decisão longa e difícil, ponderada e tomada com calma e racionalidade, a de ‘redimensionar’ o negócio quando toda a economia portuguesa atravessa um momento crítico”, anunciava a empresa no Facebook. A publicação, contudo, deixava uma nota de optimismo: “os móveis e a decoração ficam cuidadosamente arrecadados à espera de novas aventuras que certamente virão”.

Em Julho, numa entrevista ao PÚBLICO, Catarina Portas revelava que a loja do Porto era aquela que, “neste momento”, “mais estava a sofrer”. “Fica nos Clérigos, uma zona que nos últimos anos, com a explosão do turismo no Porto, se tornou uma zona de noite e de turistas. […] O facto é que as pessoas do Porto hoje em dia não vão aos Clérigos. É tudo alojamento local, já não há gente a morar na Baixa.”

Depois de dois anos e meio à procura de uma morada no Porto, A Vida Portuguesa chegou à cidade em 2009, com uma loja no primeiro andar do prédio da Fernandes, Mattos & Cia, numa esquina das ruas da Galeria de Paris e das Carmelitas. Em 2018, tinha-se mudado para este espaço na rua Cândido dos Reis, que anteriormente pertencia ao armazém da loja de tecidos Camões & Moreira, fundada em 1947.

“Obrigada a todos, sócios, senhorios, fornecedores, fregueses, amigos. E mais do que tudo, um agradecimento do fundo do coração a uma equipa empenhada e conhecedora como poucas”, despede-se a empresária no Facebook.

Recusando a ideia de que A Vida Portuguesa se teria tornado “uma loja para turistas” (“Nunca a considerei uma loja de souvenirs. É uma loja para portugueses, mas é acessível e os estrangeiros acham interessante porque descobrem coisas que nunca viram”, dizia ao Público em Julho), a verdade é que a pandemia e a ausência de turismo têm ditado dias difíceis ao projecto.

“Nós tínhamos hordas de turistas asiáticos a entrar pela loja da Rua Anchieta, tínhamos as prateleiras cheias de produto, porque aquilo desaparecia, e estávamos com números nos 60 e tal por cento de turistas. O facto é que desapareceram e agora estamos todos bastante aflitos.” Sem revelar a dimensão dos prejuízos, a empresária apontava números relativos a 2019: “quase quatro milhões de resultados”, uma média de vendas de “300 mil por mês”, 50 funcionários e 400 fornecedores.

O projecto nasceu em 2007, com a abertura da primeira loja, no Chiado, em Lisboa, depois de Catarina Portas ter feito uma investigação jornalística sobre a vida quotidiana portuguesa a partir dos anos 1930. Nas prateleiras de móveis antigos recuperados, reanimam-se bordados, loiças, mantas artesanais, brinquedos, conservas, sabonetes e uma variedade de outros produtos tradicionais e de fabrico nacional, resgatando ao esquecimento muitas marcas portuguesas.

Para além da loja no Porto, que continuará de portas abertas até ao final do mês, A Vida Portuguesa mantém em funcionamento os espaços na Rua Anchieta (Chiado) e no Largo do Intendente, em Lisboa. Já a loja no Mercado da Ribeira está temporariamente encerrada. É ainda possível adquirir os produtos vendidos pela marca na loja online.

Notícia corrigida a 21 de Dezembro: ao contrário do que se lia na notícia, por lapso, a empresa Fernandes, Mattos & Cia não se encontra extinta, mantendo loja naquele edifício.