Ana Catarina Mendes diz que PS tem evitado a saída de jovens do país

A líder parlamentar falava no 22.º Congresso da Juventude Socialista (JS), que deverá confirmar a eleição do único candidato, Miguel Costa Matos, o mais jovem deputado desta legislatura.

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Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS Rui Gaudencio

Em jeito de balanço dos últimos meses – mas também de antecipação dos próximos desafios –, Ana Catarina Mendes afirmou este sábado que “é muito diferente ser a direita a governar ou serem os socialistas a governar”. A líder parlamentar do PS escolheu falar da sua bancada (e não da esquerda), e sublinhou que o Governo tem feito tudo para que os jovens não abandonem o país como aconteceu na crise anterior, numa crítica dirigida ao Governo de Pedro Passos Coelho, que sugeriu a emigração como solução para os desempregados afectados pela crise económica de 2009.

“A diferença entre estar o PS a Governar e estar a direita é muito significativa. Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para garantir os postos de trabalho e que os nossos jovens não têm de sair do nosso país, onde têm direito a ter a sua vida, a trabalhar e a ajudar a construímos uma sociedade melhor”, declarou.

Reconhecendo a dificuldade de atravessar “duas crises muitos difíceis”, a pandémica e a económica, Ana Catarina Mendes defendeu que está nas mãos dos jovens “garantir que não se destrói a democracia e garantir que há oportunidades que têm de ser criadas para os mais jovens e para os mais velhos”. “Há quem neste momento queira fragilizar as instituições, explorando o medo e a exploração do medo dá lugar a fenómenos que são preocupantes para as nossas democracias”, asseverou.

Vincando as dificuldades enfrentadas pelo Governo neste contexto pandémico, a parlamentar socialista quis destacar a ministra da Saúde, Marta Temido, pelo seu papel “inexcedível”,  numa palavra de apreço pelo trabalho da governante. A declaração da líder da bancada socialista surge um dia depois de a ministra se ter emocionado durante uma cerimónia no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, no discurso de encerramento do dia comemorativo desta instituição, enquanto agradecia o papel dos profissionais de saúde no combate à pandemia.

No primeiro do 22.º Congresso da Juventude Socialista (JS), que termina este domingo e que decorre em formato digital devido à pandemia, Ana Catarina Mendes lembrou os desafios do combate à covid-19 e as exigências de “responder rapidamente” às situações que se colocam, nomeadamente na habitação e na educação (com a evolução para a escola digital). A líder parlamentar alertou também para a importância da JS nas próximas eleições autárquicas, já em 2021.

A deputada lembrou que o PS está a trabalhar numa nova regulamentação do teletrabalho, para garantir direitos aos trabalhadores, como o direito a desligar, mas também de “acesso a boas tecnologias e a condições de habitação com dignidade, que garantam que a pessoa possa prestar bem o seu trabalho”.

Miguel Costa Matos, o mais jovem deputado, com 26 anos, é o candidato único a secretário-geral da JS, até 2022, e sucederá a Maria Begonha. O candidato à liderança da juventude socialista foi elogiado pela líder parlamentar, especialmente no seu papel na elaboração da Lei de Bases do Clima, cuja discussão acontecerá a 7 de Janeiro, detalhou Ana Catarina Mendes.

Horas antes de Ana Catarina Mendes, falou também o seu antecessor, Carlos César. O ex-líder parlamentar socialista alertou para os problemas que se colocam ao país par da crise pandémica, incluindo aqueles que têm origem em causas externas, como os “efeitos mais perversos da globalização, com ascensão dos poderes dos mercados e sectores financeiros que corroem e anulam as capacidades dos Estados e dos reguladores públicos”.

O socialista não deixou de criticar o PSD de Rui Rio, ao pedir “respostas realizadoras e alternativas” que protejam as “forças democráticas” dos movimentos populistas. “Precisamos, no PS e no Governo, da contribuição de todos, muito particularmente das organizações de juventude, e em especial da JS”, afirmou.

O congresso esteve inicialmente marcado para o distrito de Leiria, mas a evolução epidemiológica atirou o congresso para o formato digital.