“Pai das tartarugas” num projecto dirigido por biólogas portuguesas vence prémio

O Prémio de Conservação Tusk, da Fundação Príncipe William, foi atribuído a Hipólito Lima, embaixador do projecto Tatô em S. Tomé e Príncipe.

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O guarda-florestal Hipólito Lima Programa Tatô

Hipólito Lima foi o vencedor do Prémio de Conservação Tusk atribuído esta quinta-feira pela Fundação Príncipe William e que distingue pessoas que se dedicam a esforços de conservação da natureza em África. Este guarda-florestal é hoje o rosto do projecto Tatô, um programa de protecção das tartarugas marinhas e que tem três biólogas portuguesas na sua equipa coordenadora. O trabalho de quase três décadas de Hipólito Lima em defesa desta espécie mereceu o prémio no valor de 100 mil libras (cerca de 110 mil euros), que serão investidas no projecto que tem como directora a bióloga marinha Betânia Ferreira.

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Programa Tatô

“Dedicou 26 anos da sua vida à conservação das tartarugas marinhas como guarda-florestal, protegendo as fêmeas de tartarugas marinhas e os seus ninhos, monitorizando as praias de nidificação, treinando os guardas-florestais locais, e capacitando as comunidades locais em guardiões das tartarugas marinhas e líderes de conservação”, lê-se no texto de apresentação do vencedor do Prémio Tusk de 2020 para a Conservação em África. Citado no site oficial dos Prémios Tusk, Hipólito Lima explica a sua dedicação e entrega a esta causa: “Penso muito nas tartarugas como seres humanos, porque têm a mesma esperança de vida. Quando uma tartaruga marinha sai da água para fazer o seu ninho, é como uma mulher a dar à luz uma criança.”

Entre outras metas importantes do trabalho projecto Tatô que contou com o empenho de Hipólito Lima destaca-se um dado revelador: “Há dez anos, nesta altura da época, já tínhamos 50 ou 70 tartarugas marinhas a serem mortas. Hoje em dia, não temos sequer uma.”

Na distinção atribuída pela Coroa britânica e, mais precisamente, pelo Príncipe William, afirma-se ainda que “a liderança e capacidade de comunicação” de Hipólito Lima “têm sido decisivas no lobby junto do Governo nacional para o estabelecimento de legislação que proporcionasse alguma medida de protecção para as tartarugas marinhas no arquipélago”. E sustenta-se: “Em 2014, o primeiro quadro jurídico nacional para proteger as populações de tartarugas marinhas foi finalmente decretado.”

“O Prémio de Conservação Tusk reconhece o esforço e dedicação de líderes de conservação em África, pela sua bravura e feitos no terreno, arriscando a sua vida dia e noite, na linha da frente da conservação. Este prémio desempenha um papel importante na missão de preservar a preciosa vida selvagem em África, enaltecendo o seu trabalho com a vida selvagem e comunidades africanas e salvaguardando um futuro para todos nós”, celebra o site oficial do Projecto Tatô. É também aqui que Hipólito Lima é chamado “o nosso pai das tartarugas marinhas em São Tomé e Príncipe” e, por isso, o finalista que recebe o prémio como embaixador dos esforços de conservação do Programa Tatô na ilha de São Tomé.

A equipa coordenadora do projecto envolve várias pessoas com diferentes formações, entre as quais encontramos três biólogas marinhas portuguesas. Betânia Ferreira colabora com o Programa Tatô em São Tomé e Príncipe desde 2014 e é uma das suas co-fundadoras, presidente e directora da Associação Programa Tatô. Há mais de 15 anos que esta bióloga trabalha na área da conservação das tartarugas marinhas tendo participado em vários projectos em diversos lugares no mundo, como Omã, Brasil, Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Sara Vieira é outra das biólogas portuguesas na equipa e conta com mais de dez anos de experiência nesta área da conservação da natureza como técnica, investigadora e educadora ambiental, em projectos de base comunitária em África e na América Central. Entrou no projecto Tatô também em 2014 e é coordenadora técnica. Por fim, na equipa deste programa encontra-se ainda Maria Branco, a bióloga responsável de “seguimento técnico e turismo”. “Em 2015, realizou a sua tese de mestrado sobre as tartarugas marinhas da ilha de São Tomé e desde então integrou a equipa do Programa Tatô, onde tem vindo a adquirir experiência em monitorização e pesquisa, educação ambiental, reabilitação e primeiros socorros em tartarugas marinhas”, refere o pequeno resumo no site do projecto.