Racismo

Os protestos no Brasil querem tirar o racismo da prateleira (desta vez, do Carrefour)

Um protesto numa loja Carrefour depois da morte de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro espancado até à morte num mercado em Porto Alegre, no Brasil. REUTERS/Adriano Machado
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Um protesto numa loja Carrefour depois da morte de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro espancado até à morte num mercado em Porto Alegre, no Brasil. REUTERS/Adriano Machado

A marcha do Dia da Consciência Negra, que se assinala a 20 de Novembro no Brasil, foi marcada por um assassinato no dia anterior. Os protestos anti-racismo convocados por vários movimentos sociais mudaram de rota depois de dois seguranças, um deles polícia militar, espancarem um homem negro de 40 anos até à morte num supermercado Carrefour, em Porto Alegre, no estado brasileiro de Rio Grande do Sul. 

Centenas de manifestantes dirigiram-se para lojas da multinacional francesa com cartazes a exigir justiça para João Alberto Silveira Freitas, conhecido como Beto Freitas. De acordo com os dados do Atlas da Violência 2020, os assassínios de negros no Brasil aumentaram 11,5% nos últimos dez anos, enquanto os de não negros caíram 12,9%. Em 2018, 75,7% das pessoas assassinadas no Brasil eram negras.

Depois dos protestos organizados por associações anti-racistas, várias lojas, incluindo o supermercado em Porto Alegre, foram vandalizadas por manifestantes que escreveram "assassinos" nas paredes, partiram os vidros das montras e derrubaram ou pegaram fogo a produtos das prateleiras. Muitos outros ergueram cartazes ou encenaram protestos pacíficos, em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, deitando-se no chão para bloquear corredores. Os protestos continuaram até domingo, 22 de Novembro, com centenas de pessoas a exigirem um boicote à empresa.

Os momentos antes do espancamento, filmado por uma funcionária e por câmaras de segurança, ainda não são claros. A imprensa brasileira cita algumas testemunhas que terão dito que uma das funcionárias chamou os seguranças depois de a vítima a ter ameaçado na caixa do supermercado. O Carrefour garantiu que vai terminar o contrato com a "empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão" e com o responsável pela loja em Porto Alegre. O governador de Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, disse que houve "excesso de violência" e a polícia está a investigar as testemunhas passivas, incluindo a funcionária que filmou a agressão.

“Não aceitamos mais pedidos de desculpas, eles prometeram-nos medidas, mas até agora não vimos nada”, disse Djefferson Amadeus, coordenador do Instituto de Defesa do Povo Negro, ao Globo.

O caso está a ser comparado ao de George Floyd, nos Estados Unidos da América, já que João Alberto Silveira Freitas também terá morrido asfixiado. No Dia da Consciência Negra, celebrado anualmente em memória de Zumbi dos Palmares, líder negro que lutou pelo fim da escravatura e foi assassinado em 1695, Jair Bolsonaro pronunciou-se sobre o caso, sem nunca o referir directamente, e criticou os movimentos anti-racistas de tentarem importar, para o Brasil, "tensões que não fazem parte de sua história".

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Uma mulher apaga um fogo posto numa loja Carrefour, em São Paulo, durante uma marcha no Dia da Consciência Negra, no Brasil.
Uma mulher apaga um fogo posto numa loja Carrefour, em São Paulo, durante uma marcha no Dia da Consciência Negra, no Brasil. REUTERS/Amanda Perobelli
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